Com recorde de infectados no Rio, Barra tem mais cinco pacientes no CER com suspeita de coronavírus

Rafael Nascimento de Souza
Paciente com máscara e luva chega ao Hospital Lourenço Jorge, na Barra, na manhã desta quarta-feira

A Barra da Tijuca, o bairro da capital que concentra o maior número de pessoas infectadas pelo coronavírus, tem pelo menos outros cinco casos suspeitos de Covid-19. De acordo com funcionários e médicos do Hospital municipal Lourenço Jorge, cinco pessoas com suspeitas de estarem com a doença deram entrada na Coordenação de Emergência Regional (CER) Barra na manhã desta quarta-feira.

Um dos pacientes está em uma sala do CER com outras pessoas à espera de um exame que deverá ser feito no começo da tarde para dizer se ele está ou não infectado. Por conta disso, pacientes que procuram atendimento no local para outros tipos de especialidades estão sendo redirecionados a outras unidades de saúde.

De acordo com a aposentada Zuleica Braga Deus, 67 anos, todos os médicos do local estão atendendo os pacientes com máscaras. A aposentada conta que o medo dela é que o irmão, que está com suspeita de um acidente vascular cerebral (AVC), se contamine na unidade.

— Um dos pacientes que estão dizendo que está infectado está separado em uma sala onde outras pessoas estão deitadas ou sentadas. Os médicos estão acompanhando-o desde o começo da manhã e não sabem o que fazer. Estou com medo de o meu irmão acabar sendo contaminado também — afirmou Zuleica.

Segundo a aposentada, há falta de papel para secar as mãos e detergente líquido dos banheiros do CER Barra.

— Não está sendo possível fazer uma higienização mínima no local. O detergente acabou hoje de manhã e só tem um rolo de papel higiênico no banheiro — completou.

De acordo com uma sobrinha de Wanderlei Braga, irmão de Zuleica, o paciente com suspeita de coronavírus não está com máscara e poderá, caso esteja com a doença, contaminar outras pessoas.

— Ele está deitado e tossindo muito — diz a mulher que não quer ser identificada.

Com náusea e dor no corpo, a atendente de supermercado Claudia Pedreira Martins, 47, disse que procurou o CER Barra para ser medicada. Entretanto, não chegou nem a ser atendida. Foi alertada que deveria procurar uma clínica da família para receber auxílio médico.

— Estou enjoando muito e acabei vomitando lá dentro. Muita dor no corpo, mas, mesmo assim, eles me liberaram. (Os médicos) disseram que é para eu procurar uma clínica da família — destacou.

Muitos pacientes que procuraram o espaço de saúde estão chegando com máscaras cirúrgicas. O medo é de serem contaminados.

As pessoas que chegam no Hospital Lourenço Jorge alegando que estão com suspeitas da Corvid-19 estão sendo orientados a procurar o CER Barra, que fica ao lado.

A Secretaria municipal de Saúde foi procurada, mas ainda não comentou as informações apuradas pelo EXTRA.

Um mapa interno elaborado pela Secretaria estadual de Saúde mostra a distribuição dos casos do novo coronavírus na cidade. O mapa desta segunda-feira considera o total de 29 casos na Região Metropolitana e 31 no estado.

Nesta terça-feira, o número de casos subiu para 33, um em Barra Mansa e um em Niterói.

De acordo com o mapa, a região mais afetada é da Barra da Tijuca, com 5 casos. Depois, vem Leblon, com 4 casos. São Conrado e Ipanema têm 3 casos. Com 2 casos estão: Copacabana, Flamengo, Vila Isabel, Méier e Pechincha. Os bairros Jardim Botânico, Lagoa, Botafogo e Santa Teresa têm um caso cada. Havia casos ainda nos municípios de Barra Mansa e Niterói.

De acordo com uma médica de uma Unidade de Pronto-Atendimento (UPA) da Prefeitura do Rio, até ontem médicos e enfermeiros não sabiam o que fazer para tratar pacientes com sintomas da Covid-19 nas unidades municipais.

— Até esta terça, não sabíamos o que fazer. A partir de hoje, estamos com um protocolo novo de atendimento durante a pandemia. Serão três meses de protocolo, por ora. A nova regra é assim: cancela os atendimentos básicos (consultas de rotinas e exames). Nos casos como tosse, febre e dor de garganta, a gente encaminha para o hospital — diz a médica de uma UPA da Zona Oeste do Rio.

Segundo a profissional, pacientes que têm consultas de rotina marcadas ou que chegam nas unidades básicas em busca de atendimento estão sendo orientados a voltarem daqui a 90 dias.

A médica contou ao EXTRA que, em algumas unidades de saúde da Zona Oeste, a procura por atendimento do Coronavírus é tanta que as direções dos espaços estão fechando os portões e a triagem está sendo feita na parte de fora do espaço.

— Decidimos fechar os portões e só deixar entrar na clínica quem está passando mal e paciente com síndrome gripal. Lá dentro eles são divididos para não se misturarem — lembra.

Na nova portaria da Secretaria municipal de Saúde, todos os profissionais das unidades foram divididos em equipes.

— Existem médicos e enfermeiros que só atendem coronavírus, equipes que atendem casos considerados graves e outros grupos que atendem os pré-natais e consultas de crianças de até um ano de idade — completou a médica, que teme que, por falta de médico na rede municipal de saúde, a SMS não consiga atender todo mundo.