Com recorde de internados em UTI, Ribeirão Preto fecha comércio e paralisa ônibus

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RIBEIRÃO PRETO, SP (FOLHAPRESS) - O avanço da pandemia da Covid-19 fez a Prefeitura de Ribeirão Preto (a 313 km de São Paulo) suspender o funcionamento do comércio, dos shopping centers e restaurantes e suspender por pelo menos cinco dias a operação do transporte coletivo urbano.

O anúncio de mais medidas restritivas foi feito na tarde desta segunda-feira (24) pelo prefeito Duarte Nogueira (PSDB) e pelo secretário da Saúde Sandro Scarpelini, num dia em que o total de pacientes internados em UTIs (Unidades de Terapia Intensiva) bateu recorde na cidade.

Não é propriamente um novo lockdown, como foi adotado na vizinha Batatais, mas as novas restrições que entrarão em vigor na quinta-feira (27) se aproximam disso. Não poderão abrir as portas supermercados, lojas, restaurantes e os quatro shoppings da cidade. Supermercados e restaurantes poderão atender via delivery.

Também estão proibidos de funcionar estabelecimentos escolares, templos religiosos, parques, academias, oficinas mecânicas e salões de beleza. O transporte coletivo urbano só vai funcionar até quarta (26).

Ribeirão Preto adotou lockdown entre os dias 17 e 21 de março, período em que, diferentemente de agora, indústrias também fecharam. Além delas, também poderão abrir estabelecimentos ligados à saúde, postos de combustíveis, construção civil e clínicas veterinárias (para urgências). Missas e cultos estão vetados, mas os templos têm permissão para manter as portas abertas.

Devido ao lockdown, a cidade chegou a registrar queda de 45% em relação às semanas anteriores na procura de pacientes com suspeita de Covid-19 nas unidades de atendimento da prefeitura. No entanto, voltou a haver alta de casos e internações nas últimas semanas, cenário que a Secretaria da Saúde local atribui ao avanço da circulação da variante brasileira da Covid-19, mais agressiva que a que circulava anteriormente.

Segundo o prefeito Duarte Nogueira (PSDB), as medidas restritivas vigorarão no mínimo até a próxima segunda-feira (31), quando uma nova avaliação do centro de contingência será feita, o que poderá resultar em prorrogação das medidas restritivas ou flexibilização de algumas atividades.

"Tomamos medidas mais duras, não tanto quanto um lockdown, mas medidas para podermos chegar ao dia 31 e a saúde, a coordenação do comitê de contingência, poder nos dar as respostas para garantir a entrega dos serviços de saúde e a preservação da vida de todos aqueles que eventualmente necessitarem de atendimento de alta complexidade", disse o prefeito.

Dos 308 leitos de UTI implantados, 299 deles, ou 97,07%, ficaram ocupados nesta segunda-feira. É o recorde de pacientes internados em leitos intensivos em toda a pandemia. Há, ainda, 316 pessoas internadas em enfermarias, que têm índice de ocupação de 83,6%.

Em menos de cinco meses, Ribeirão já igualou em 2021 o total de mortes provocadas pelo novo coronavírus em todo o ano passado: de 2.086 óbitos, 1.043 foram registrados desde 1º de janeiro. O total de casos confirmados da doença chegou a 77.755, em uma população de 711.825 habitantes.

Apesar de ainda haver vagas em hospitais, o atual número de leitos disponíveis, 308, é inferior aos 315 que a cidade chegou a ter semanas atrás. Isso ocorreu, segundo a prefeitura, porque o HC (Hospital das Clínicas), vinculado à USP (Universidade de São Paulo) e principal referência em saúde num raio de 200 km, precisou fechar quatro vagas de UTI por não conseguir manter as escalas de médicos e enfermeiros. Outras três vagas foram fechadas na iniciativa privada.

De acordo com Scarpelini, as medidas tomadas até aqui na pandemia têm como objetivo salvar vidas e "ganhar tempo para chegar essa vacina".

"Felizmente a vacina chegou mais rápido que o habitual, mas não foi no tempo que poderia ter sido nem na quantidade. Se tivéssemos recebido essa vacina em dezembro, o que era possível, como aconteceu na Inglaterra, no Canadá, nos EUA, e em quantitativo suficiente, o Brasil ia mais uma vez mostrar que o SUS é um dos melhores sistemas do mundo", disse.

O fechamento gerou críticas do Sincovarp (Sindicato do Comércio Varejista de Ribeirão Preto) e da CDL (Câmara dos Dirigentes Lojistas), que afirmaram reconhecer a gravidade da situação mas dizem que o setor já vem sendo "extremamente sacrificado ao longo da pandemia".

"Entendemos que não adianta somente fechar empresas e paralisar a economia. É preciso adotar medidas efetivas que obriguem, por exemplo, a população a usar máscaras de proteção e a seguir os protocolos sanitários. Quem não colabora precisa começar a ser punido da forma mais rigorosa que a legislação permitir", diz comunicado das entidades.