Com recusa de Ludhmila, Bolsonaro diz a aliados não ter pressa em escolha de novo ministro

GUSTAVO URIBE E RICARDO DELLA COLETTA
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BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Com a recusa da cardiologista Ludhmila Hajjar, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) decidiu colocar um freio no processo de sucessão do ministro da Saúde, Eduardo Pazuello. Em conversas com assessores e aliados nesta segunda-feira (15), o presidente afirmou que pretende se reunir nesta semana com todos os nomes cotados para o posto antes de anunciar uma mudança. Segundo relatos feitos à reportagem, o presidente sinalizou que não tem pressa para fazer uma troca, que quer um nome confiável que não tenha vida curta no cargo e que a escolha pode ficar para o final de semana. Com a decisão de Ludhmila de não assumir o posto, deputados e senadores têm feito uma série de indicações ao presidente, que incluem de médicos a militares. A repercussão da recusa da cardiologista, que concedeu entrevistas à imprensa fazendo críticas à postura do governo, irritou o presidente. A avaliação no Palácio do Planalto foi de que foi um erro convidá-la para a função. Agora, para evitar novos desgastes, a ideia é de que Bolsonaro adote mais cautela nas conversas e que seja feito um pente-fino mais rigoroso nos históricos de posições e declarações dos nomes indicados. A questão chegou a ser tratada, segundo auxiliares palacianos, durante encontro entre Bolsonaro e Pazuello nesta segunda-feira (15). O tema principal da reunião foi os novos acordos para a compra de vacinas, mas a troca foi discutida. O diretor-presidente da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), Antônio Barras Torres, também teve encontro com Bolsonaro. O nome dele, que chegou a ser cotado para a Saúde no passado, voltou a ser defendido no Palácio do Planalto. O apoio ocorre sobretudo no chamado núcleo ideológico. A avaliação é de que, ao ter adotado uma postura técnica na autorização de vacinas contra o coronavírus, Torres passou uma imagem de independência, o que poderia ser bem visto pela opinião pública. Além de Torres, outros nomes sugeridos ao presidente foram os dos cardiologistas Marcelo Queiroga, da Sociedade Brasileira de Cardiologia e que também se reuniu nesta segunda-feira (15) com Bolsonaro, e José Ramires, do Instituto do Coração do Hospital das Clínicas e cuja expectativa é de que tenha uma conversa com o presidente nesta terça-feira (16). Nesta segunda-feira (15), também foram sugeridos a Bolsonaro os nomes do diretor de Saúde da Marinha, o contra-almirante Luiz Fróes, que tem o apoio da cúpula militar, e do ex-presidente da AMB (Associação Médica Brasileira) Lincoln Lopes Ferreira, que conta com a simpatia de deputados bolsonaristas. O bloco do centrão também tem tentado emplacar o deputado federal Luiz Antonio Teixeira (PP-RJ), conhecido pelo apelido Dr. Luizinho. Bolsonaro, no entanto, tem afirmado que busca, pelo menos em um primeiro momento, um nome técnico. Apesar de ter abandonado a retórica contra a vacina, o presidente resiste a aderir a um discurso a favor do isolamento social. E segue insistindo que o tratamento precoce, especialmente com a cloroquina, funciona.