Com reservatórios cheios, hidrelétricas do Brasil abrem suas comportas

Vista aérea de Itaipu em 2001

SÃO PAULO (Reuters) - Com chuvas acima da média em algumas áreas do Brasil em janeiro, os níveis dos reservatórios das hidrelétricas estão se elevando rapidamente, o que tem resultado na abertura das comportas das usinas, disse o Ministério de Minas e Energia neste sábado.

A abertura dos vertedouros das usinas hidrelétricas é necessária dentro dos planos de controle de cheias, mas também quando há redução da demanda de energia, como é o caso esperado para janeiro, explicou o ministério.

Nos últimos dias, houve início de vertimento nas usinas do rio Madeira, no complexo Belo Monte, e nas bacias do rio São Francisco e do Rio do Grande, segundo nota do ministério.

"Superada a pior escassez hídrica da história, usinas hidrelétricas em várias regiões do país começaram a abrir suas comportas desde a última semana", disse o ministério, referindo-se à seca de 2021.

"O vertimento excepcional ocorre em decorrência de uma recuperação significativa dos níveis dos principais reservatórios do Sistema Interligado Nacional (SIN). Os reservatórios já superam 60% de armazenamento neste mês de janeiro", pontuou o comunicado.

Para os próximos dias é esperado o início do vertimento na Hidrelétrica de Tucuruí, no Pará.

Na usina de Itaipu Binacional, as comportas da calha esquerda foram abertas neste sábado, com vazão de 1.400 (m³/s), disse o ministério, acrescentando que a previsão de vertimento é de dez dias, mas a programação pode ser alterada.

O Operador Nacional do Sistema (ONS) prevê afluência alta (acima de 80%) ao final de janeiro em todas as regiões do país, conforme boletim do Programa Mensal de Operação (PMO).

As hidrelétricas do Sudeste/Centro-Oeste, onde estão as usinas com os maiores lagos, devem chegar ao final de janeiro com 67% da capacidade, segundo o ONS.

MENOR DEMANDA

Na véspera, o ONS voltou a reduzir sua projeção de carga de energia para janeiro, diante da menor demanda por eletricidade.

A expectativa agora é de recuo de 2,2% no primeiro mês de 2023 no comparativo anual, contra queda de 0,8% esperada na semana passada.

De acordo com o ONS, “temperaturas mais amenas em janeiro nas capitais do Sudeste, Centro-Oeste e do Sul, ante a mediana de temperaturas neste momento do verão” é um dos fatores que podem explicar a redução da demanda por energia nessas regiões.

(Por Roberto Samora)