Com Ricardo Barros na mira, CPI da Covid aprova requerimentos de quebra de sigilo

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BRASÍLIA - A CPI da Covid aprovou nesta quinta-feira dezenas de requerimentos de quebra de sigilo que têm como alvo o líder do governo na Câmara, o deputado Ricardo Barros (PP-PR). Integrantes da comissão suspeitam da ligação dele com irregularidades na negociação da vacina Covaxin. Esse imunizante, desenvolvido pelo laboratório indiano Bharat Biotech, foi o mais caro a ter negócio fechado com o Ministério da Saúde. As tratativas no Brasil ficaram a cargo da empresa Precisa, mas elas foram suspensas pelo Ministério da Saúde após o caso ter entrado no radar da CPI.

A CPI já tinha determinado a quebra do sigilo fiscal de Barros a partir de 2018. Agora, estendeu esse período até 2016, o que vai abranger todo o tempo em que ele foi ministro da Saúde durante o governo do ex-presidente Michel Temer. Barros tem um processo de improbidade administrativa na Justiça Federal em razão de um contrato fechado pela pasta nessa época com a empresa Global, sócia da Precisa, que recebeu pagamento adiantado, mas não forneceu os medicamentos que deveria.

A CPI também vai solicitar ao Supremo Tribunal Federal (SF) e ao Tribunal de Contas da União (TCU) informações sobre processos envolvendo Ricardo Barros. Além disso, a pedido de relator da CPI, Renan Calheiros (MDB-AL), foi aprovado a quebra do sigilo fiscal de 20 empresas. Segundo Renan, os depoimentos, informações e documentos em posse da comissão "demonstram estar inter-relacionados comportamentos, transferências monetárias e ligações societárias entre o Deputado Ricardo Barros" e essas empresas.

A Precisa e o dono dela, o empresário Francisco Maximiano, também tiveram o prazo de quebra de sigilo fiscal ampliado.

Além disso, a CPI aprovou a quebra dos sigilos telefônico, fiscal, bancário e telemático da Global. Outros personagens envolvidos em negociações suspeitas de vacinas, como a entidade privada Secretaria Nacional de Assuntos Humanitários (Senah) e o o coronel Marcelo Bento Pires, que já teve cargo no Ministério da Saúde, também tiveram sigilos quebrados.

Foram solicitadas ainda informações ao Ministério da Saúde sobre alguns temas, como o desenvolvimento do aplicativo TrateCov, que receitava cloroquina até mesmo para gestantes e bebês, e detalhes da exoneração de Roberto Ferreiras Dias do Departamento de Logística da pasta. Roberto foi acusado de pressionar a pela liberação da Covaxin e de cobrar propina na negociação de outra vacina.

A CPI também pediu informações ao Ministério das Relações Exteriores sobre contatos com a Precisa e a Bharat Biotech.

Convocações

A CPI também convocou algumas pessoas: Roberto Pereira Ramos Junior, presidente do Fib Bank; Luiz Henrique Lourenço Formiga, diretor do mesmo banco; o lobista Marconny Nunes Ribeiro Albernaz de Faria; Jaime José Tomaselli, executivo da World Brands; Emanuel Catori, sócio da Belcher Farmacêutica; e José Ricardo SantanaOutro requerimento aprovado, de Humberto Costa, é para a Polícia Federal prestar informações sobre inquérito instaurado contra o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello e o empresário Airton Antônio Soligo, que foi seu assessor.

Advogado da família Bolsonaro é alvo

A CPI aprovou ainda a quebra do sigilo fiscal de Frederick Wassef, advogado da família Bolsonaro. Segundo o requerimento do relator Renan Calheiros, "foram interrelacionados comportamentos, transferências monetárias e ligações societárias" entre diversas empresas e investigadas e pessoas, entre elas Wassef. Também foi aprovado requerimento pedindo ao Senado é Câmara dos Deputados de "todos os registros de acesso e entrada" de várias pessoas, como Wassef e Maximiano.

Outro alvo de requerimentos nesta quinta-feira é a gestão dos hospitais federais localizados no Rio de Janeiro. Foram pedidas informações ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) em relação a gestores e ex-gestores. Também foram aprovados requerimentos do senador Humberto Costa (PT-PE) para que esses hospitais repassem algumas informações.

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