Com secretário fora do país, Polícia Militar do DF apresentou pouca resistência para evitar invasão do Congresso, STF e Planalto

Anunciados dias antes em grupos de bolsonaristas e nas redes sociais, os atos terroristas deste domingo chegaram à sede dos prédios dos três Poderes com praticamente nenhuma resistência de policiais militares do Distrito Federal. Bloqueios montados na Esplanada dos Ministérios foram furados sem qualquer dificuldade pelos manifestantes. Imagens mostram ainda que, enquanto um grupo subia a rampa do Congresso, o primeiro dos três prédios a serem depredados, agentes da PM-DF conversavam amistosamente com manifestantes. Em outra imagem, aparecem até mesmo comprando água de coco.

Em um dos bloqueios, próximo ao Congresso, manifestantes forçaram as grades de proteção. Neste momento, as imagens mostram que um policial tenta impedir a ação jogando spray de pimenta. Depois que as grades são derrubadas, no entanto, diversos agentes abrem passagem e apenas observam os bolsonaristas seguirem em direção à Praça dos Três Poderes.

Um outro vídeo mostra um policial conversando amistosamente com um manifestante, enquanto um colega, ao seu lado, filma as cenas. Outros policiais observam os atos sem fazer nada. Neste momento, bolsonaristas já estavam na rampa e nos telhados do Congresso.

Uma terceira gravação mostra um policial conversando com terroristas dentro do plenário do Senado, sem qualquer ação para retirá-los e evitar os atos de vandalismo.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva acusou a PM de ser leniente com os terroristas e determinou intervenção federal no Distrito Federal neste sábado.

Para o cargo de interventor foi anunciado Ricardo Cappelli, secretário-executivo do Ministério da Justiça.

— Esses policiais que participaram disso não poderão ficar impunes e não poderão integrar a corporação porque não são de confiança da sociedade brasleira — afirmou Lula, durante entrevista em Araraquara, no interior de São Paulo, onde havia ido para sobrevoar área afetadas pela chuva neste domingo.

Enquanto os atos de terrorismo ocorrem em Brasília, o secretário de Segurança Pública, Anderson Torres, está nos Estados Unidos. Ele era ministro da Justiça de Jair Bolsonaro e foi acusado, durante sua gestão, de ser leniente com atos antidemocráticos que tomaram o país depois das eleições.

O governador Ibaneis Rocha anunciou às 17h que determinou a exoneração de Anderson, mais de duas horas depois dos manifestantes tomarem a Esplanada dos Ministérios.

A ação dos terroristas foi planejada publicamente nos últimos dias. Diversas convocações foram feitas para que bolsonaristas fossem a Brasília. Depois, passaram a anunciar que saíram do Quartel-General do Exército, onde estão acampados, e iriam para a Esplanada.

A Secretaria de Segurança Pública vinha sendo comandada desde o dia 2 por Anderson Torres, que era ministro da Justiça do governo Jair Bolsonaro até o fim de dezembro.

Após o início das manifestações, Torres fez algumas publicações em sua conta no Twitter e escreveu que é "inconcebível a desordem e inaceitável o desrespeito às instituições". Depois que Ibaneis anunciou publicamente sua exoneração, o ex-ministro não voltou a se manifestar.