Com a Selic a 7,75%, como fica o rendimento da poupança? Veja onde aplicar

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Na quarta-feira (dia 27), o Banco Central (BC) anunciou mais um aumento na Selic — a taxa básica de juros, que regula a economia —, passando de 6,25% para 7,75% ao ano. Por servir como base para o cálculo da remuneração de diversos investimentos, a Selic alta torna a renda fixa pós-fixada mais interessante. Ainda assim, especialistas garantem que a poupança continua sendo a pior opção para guardar o dinheiro.

O coordenador do MBA de Finanças do Ibmec RJ, Gustavo Moreira, explica que, atualmente, o rendimento da poupança é de 70% do valor da taxa básica de juros mais a Taxa Referencial (TR), que está zerada. Dessa forma, a caderneta rende hoje em torno de 5,43% ao ano. Se houver novos aumentos, e a Selic passar de 8,5%, a regra muda: a poupança vai render 6%, além da TR. Isso significa dizer que a remuneração da caderneta ficará estacionada em 6%, a partir de então.

Dessa forma, ele recomenda aplicar em CDBs (Certificados de Depósito Bancário) remunerados pelo CDI — uma taxa muito próxima à Selic — ou aplicar no Tesouro Direto Selic. Ao investir mil reais por um ano no título público, o investidor teria R$ 1.063 no fim do período. O montante seria de R$ 1.054, caso escolhesse a poupança.

— Os bancos grandes não precisam oferecer remuneração alta para atrair investidores. É preciso pegar um CDB que renda pelo menos 90% do DI, porque há cobrança de Imposto de Renda nessa aplicação. Já em bancos pequenos e médios, é possível encontrar CBDs que oferecem até 130% do DI. O investimento é seguro porque ainda conta com a garantia do Fundo Garantidor de Créditos — afirma Moreira.

Ultimamente, tem acontecido uma migração de investidores para a renda fixa, seja para fugir de riscos ou aproveitar a alta dos juros, como informa a head de Renda Fixa da XP, Camilla Dolle.

— Essa alta da Selic acaba sendo refletida de forma mais direta em investimentos pós-fixados, que capturam essa alta esperada. Mas outros investimentos, como prefixado e IPCA+, acabam refletindo a curva de juros. Pode ser vantajoso, dependendo do perfil do investidor, da carteira e do prazo — considera Camilla: — O Tesouro Selic acaba sendo boa alternativa para reserva de emergência. O IPCA+ é uma boa opção para se proteger da inflação para quem puder segurar o título até o vencimento, entre cinco e seis anos. Já o prefixado é o que exige cautela, preferindo vencimentos até quatro anos.

O economista da Nova Futura Investimentos, Matheus Jaconeli, analisa que a alta nos juros acaba por afetar o mercado de risco:

— Ao realizar a precificação de renda variável, como ações, o mercado leva em conta uma taxa de desconto. Quanto mais alta é a taxa de desconto, menor tende a ser preço desses ativos. Ou seja, os valuations que outrora estavam elevados por conta das taxas de juros baixas passaram a diminuir com as perspectivas de alta nos juros.

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