Com Moro na pista, prévias tucanas ganham ares de marcha fúnebre

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The Governor of Sao Paulo Joao Doria, was in Rio de Janeiro, and launched the preview of his candidacy for the Presidency of the Republic in the 2022 presidential elections, in a rhythm of samba, and crowds of people amidst the corona virus pandemic, covid19 he seeks votes in Rio for PSDB caucuses, his political party, was received with a presentation by the Imperatriz Leopoldinense samba school.Covid-19: Brazil registers 28,000 new cases and 698 deaths in 24 hours, the total number of deaths in the pandemic reached 574,209.

The number of people who have contracted the disease since the start of the pandemic has risen to 20,556,487. Between yesterday and today, 28,388 new cases were registered. On August 21, 2021 in Rio de Janeiro, Brazil. (Photo by Fabio Teixeira/NurPhoto via Getty Images)
O governador de São Paulo João Doria. Foto: Fabio Teixeira/Nur (via Getty Images)

A cerimônia de filiação de Sergio Moro ao Podemos ajudou a transformar as prévias do PSDB, marcadas para domingo, 21 de novembro, em uma marcha fúnebre.

Moro não assumiu (ainda) oficialmente por qual pista concorrerá em 2022, mas já pensa, age e fala como presidenciável. Desde então ele aparece à frente dos dois principais postulantes tucanos nas pesquisas divulgadas na semana passada. Em uma delas aparece também em vantagem em relação a Ciro Gomes (PDT), que aparentemente desistiu de desistir e já chamou o ex-juiz para a briga em entrevista a José Luiz Datena.

Aos candidatos a pré-candidatos tucanos restou uma guerra intestina para disputar um eleitorado que não chega hoje a 5% dos votos. É pouco para uma largada prévia. Sobretudo quando os oponentes estão em duas vitrines do tamanho dos estados de São Paulo e Rio Grande do Sul.

Nos últimos dias, correu a notícia de que apoiadores do governador gaúcho Eduardo Leite já defendem o adiamento da escolha —em teoria, por conta de um desacerto em torno do sistema de votação por app. Boato ou não, a ideia foi bombardeada pelos adversários João Doria e Arthur Virgílio.

Até onde se sabe, as prévias estão mantidas.

Se a corrida fosse hoje, o escolhido teria razão em concluir que era melhor recolher as armas e disputar a reeleição em seu estado a lançar candidatura própria ao Planalto, como fez a legenda desde a primeira disputa após redemocratização, em 1989.

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Para Doria, ficar fora da disputa principal, seja pelo votos dos filiados, seja por não ter onde crescer devido ao inchaço da chamada terceira via, pode significar o encerramento precoce de uma carreira política meteórica iniciada em 2016, quando foi eleito prefeito de São Paulo. Dois anos depois ele já era governador com planos de chegar à Presidência.

Na disputa interna, Doria tem como ponto de desequilíbrio o ex-padrinho Geraldo Alckmin, que se ressente da falta de empenho do ex-afilhado quando era candidato a presidente em 2018. Doria, como se sabe, bandeou para o lado bolsonarista da força quando viu que as chances do ex-governador eram escassas. Nunca foi perdoado.

Alckmin está com os dois pés fora do PSDB, mas deixou um dedo para trás para votar, via aplicativo, em Eduardo Leite até o aparelho explodir. Se vencer, Doria pode voltar a enfrentar o ex-aliado na disputa pelo Bandeirantes, para a qual deixou seu vice Rodrigo Garcia como esquenta-banco.

Alckmin é hoje o favorito na disputa. E mesmo as sondagens para compor uma chapa com Lula para a disputa presidencial podem ser menos tentadoras a ele do que a possibilidade de desossar Doria ou o seu candidato a sucessor na corrida estadual.

Doria e Leite sabem que o jogo não termina domingo. Pode ser um aceso ao purgatório ou ao inferno, a depender do resultado.

Um não descarta a possibilidade de tirar o nome do jogo para apoiar um candidato mais bem posicionado.

Outro já se reuniu com outros dois concorrentes, Moro entre eles, para discutir o que fazer diante dos favoritos Jair Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva. A promessa é que todos estão dispostos a desistir em troca de apoio ao que estiver mais bem colocado. Hoje este nome é Moro. Depois de tudo, Doria ou Leite vão mesmo sair de cena parra correr junto com o ex-juiz?

A pergunta tem como pano de fundo uma série de erros do partido nos últimos anos, que começam em Aécio Neves e terminam com o alinhamento a Bolsonaro em votações-chave no Congresso. Essa pergunta antecipa uma dura realidade para o vencedor de domingo: o risco de levar a vaga, pegar o partido dividido e repetir o fiasco de 2018.

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