Com surto em Pequim, China reage aos céticos de política rígida contra Covid

Pessoas fazem fila para passarem por exame de detecção de Covid-19 em Pequim

Por Eduardo Baptista e David Stanway

PEQUIM/XANGAI (Reuters) - Moradores de Pequim estavam alarmados nesta sexta-feira com dezenas de novos casos de Covid-19 relatados diariamente e com a possibilidade de mais restrições, ao mesmo tempo em que os líderes da China ameaçaram agir contra os críticos de sua política de tolerância zero contra Covid.

Enfrentando um alto custo econômico e raras críticas públicas em sua internet rigidamente controlada, a China está cada vez mais fora de sintonia com o restante do mundo, onde as restrições da Covid estão sendo abandonadas e as vacinas utilizadas para proteger as pessoas.

Internacionalmente, organizações da indústria reclamam que as restrições da Covid na China têm repercussões econômicas globais. Dentro do país, a população se preocupa com restrições dolorosas e de longo prazo.

A capital está agindo para evitar uma explosão de casos como a que forçou o centro comercial de Xangai a um lockdown quase completo por mais de um mês, causando um impacto financeiro e psicológico significativo em seus moradores.

"Vamos tentar cooperar", disse Hu, funcionária de finanças de Pequim, de 42 anos, dando apenas seu sobrenome.

"Mas também espero que o governo possa introduzir algumas políticas que não afetem a vida geral dos cidadãos. Afinal, todos nós temos hipotecas e financiamentos de carros."

Shi Wei, aposentado na capital, afirmou que as pessoas ao seu redor pareciam "facilmente irritáveis".

Após uma reunião do mais alto órgão decisório, o Comitê Permanente do Politburo do Partido Comunista, a mídia estatal informou na quinta-feira que a China combateria qualquer comentário ou ação que distorcesse, duvidasse ou repudiasse sua política contra Covid.

Nesta sexta-feira, o jornal oficial Diário do Povo do Partido Comunista atacou em um editorial as acusações de que a política de Covid da China estava atrapalhando a economia e o comércio globais.

"Alguns políticos dos EUA frequentemente atacaram e difamaram as medidas de prevenção e controle epidêmico da China e tentaram jogar a culpa na China pela chamada interrupção das cadeias de suprimentos globais", disse, sem identificar ninguém.

Acrescentou que a China está colocando "a vida em primeiro lugar" e que, embora a pressão sobre sua economia tenha aumentado, pode superar as dificuldades.

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