Com taxa de juros em dois dígitos, fuga de investidores para a renda fixa já aparece nos números

A alta dos juros já está provocando uma migração dos investidores de produtos de maior risco para a segurança renda fixa. De julho de 2021 a março deste ano, a parcela investida nessa modalidade cresceu de 36,45% para 39%, segundo levantamento feito pelo Santander Brasil com clientes em todo o país. No mesmo período, a Selic (taxa básica de juros) subiu de 4,25% para 12,75% ao ano.

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—A renda fixa sempre teve um protagonismo grande entre os brasileiros e, com os dois dígitos na taxa de juros, isso fica ainda mais evidente. Esse aumento na modalidade também mostra um apetite menor ao risco em um ano bastante desafiador para os investimentos — afirma Luciane Effting, superintendente executiva de Investimentos do Santander Brasil.

Estão sendo mais procurados pelos investidores títulos públicos do Tesouro Direto, Certificados de Depósitos Bancários (CDBs), Letras de Crédito Imobiliário (LCIs), Letras de Crédito do Agronegócio (LCA).

Embora considerem a previdência privada uma aposta de investimento seguro, essa modalidade apresentou leve recuo nos recursos investidos, segundo o Santander Brasil. De julho de 2021 a março de 2022, o total investido caiu de 27,70% para 26,06%.

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Os fundos de investimento, considerando todas as famílias, também tiveram uma queda de 26,68% em julho de 2021 para 24,89% em março de 2022. Os fundos aparecem na terceira colocação entre os preferidos pelos clientes analisados.

Da carteira total de todos os estados, esses produtos são os mais acessados pelos moradores de Roraima (27,67%), do Rio de Janeiro (26,64%), São Paulo (25,39%), Sergipe (25,18%) e Piauí (25%).

O levantamento mostrou ainda que os Certificados de Operações Estruturadas (COEs) também tiveram crescimento do ano passado para este ano. De acordo com a pesquisa do Santander, a captação saiu de R$ 184 milhões no primeiro trimestre do ano passado para R$ 555 milhões no mesmo período deste ano, o que representa um crescimento de mais de 300%.

Os COEs são uma combinação de um ativo de renda fixa com um de renda variável, como ações, moedas, índices, commodities, dentro de um mesmo produto. Mais de 90% dos COEs emitidos no Brasil são de capital protegido e, em caso de perdas, o investidor recebe no mínimo o capital investido inicialmente.

— Num cenário de tanta incerteza, como o atual, essas estruturas são uma oportunidade para os clientes, já que é possível apostar na alta de um determinado índice com garantia do capital protegido. As mais demandadas têm sido do tipo ganha-ganha, onde o cliente acredita na valorização de um índice (como Ibovespa, S&P500 ou IPCA) e, caso não aconteça, ele ganha um retorno fixo como 10% ao ano — diz afirma Luciane.

Os títulos de crédito privado, como Debêntures, Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI) e Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRA) – que são beneficiados pela alta dos juros — também avançaram de um ano para outro. Em contrapartida, ações e os fundos imobiliários perderam espaço na carteira dos investidores.

O levantamento levou em consideração os investidores do Santander em todo o país, sem contar a caderneta de poupança.

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