Com tendência de juros em 13,25% por mais tempo, veja os melhores investimentos de renda fixa

Com a Bolsa de Valores em sua pior fase desde janeiro, e a Selic no maior nível em cinco anos, a renda fixa ganha apreço entre investidores. Mas, ainda que seja um investimento de menor risco, é preciso ponderar qual aplicação oferece o melhor retorno diante do cenário macroeconômico: os ativos prefixados, que podem oferecer bons retornos no curto prazo, ou os pós-fixados, que garantem proteção em cenários de volatilidade?

Em investimentos prefixados, sejam eles CDBs, LCIs, LCAs ou títulos públicos, o rendimento é definido desde a contratação, não sendo alterado por nenhum fator externo.

Em um primeiro momento, essa pode parecer a melhor opção de todas, já que o poupador não fica sujeito a flutuações. No entanto, caso a inflação aumente muito e a Selic também, perde-se oportunidade de valorização.

Victor Zucchi Meneghel, especialista do Valor Investimento, diz que quem aplicou em prefixados com taxas em torno de 8%, quando a Selic estava no patamar de 2%, perdeu dinheiro já que a inflação acumulada está em dois dígitos (11,73%).

Com a taxa Selic atualmente em 13,25% e o ciclo de alta próximo do fim, diz que o investimento pode ser uma boa opção. Mesmo assim, é preciso cautela:

— Hoje existem certificados interbancários que pagam de 14% a 15%. Mas existe uma frase no mercado que é ‘quem tem pré, tem medo’, porque sempre existe a possibilidade de alocar no ativo e a taxa subir mais — comenta Meneghel: — Por isso, recomendo escolher ativos de, no máximo, três anos.

Embora diga que não se pode analisar a taxa de juros sem considerar o cenário externo, de inflação global, aumento de taxa de juros, incertezas geopolíticas e sinais de recessão, Renan Zanella, consultor financeiro Convex Research, aconselha títulos prefixados mais curtos, de preferência com um prazo que o investidor seja capaz de segurar sua aplicação até o vencimento.

Rodrigo Marcatti, economista e CEO da Veedha, vê a inflação controlada mais à frente e curvas de juros fechadas. Para ele, a Selic deve atingir a máxima de 13,75% e voltar a cair. Por isso, enxerga nos prefixados uma oportunidade de retornos mais altos.

— A tendência é que, mesmo quem não carregue esses papéis até o vencimento, consiga sair com um retorno interessante — opina.

Andrey Nousi, fundador da Nousi Finance, concorda, mas acredita que ativos prefixados são interessantes somente no curto prazo.

— Se pensar em vencimentos mais longos, próximos de 2030, se a Selic cair, a marcação a mercado vai ser muito positiva para esse papel. Só que, para isso, ainda falta muito tempo. Será que não teremos nenhuma crise nos próximos oito anos? No Brasil, isso não parece ser o caso. Então, o prefixado de longo prazo apresenta muito risco. O curto prazo é mais prudente — analisa.

Em todo caso, a regra de ouro é diversificar. Para Camila Veloso, assessora financeira da 3A Investimentos, como ninguém pode afirmar o que vai ocorrer no futuro, ter posições pré e pós-fixadas e atreladas ao IPCA é a estratégia mais segura e assertiva no longo prazo.

— Os três tipos de ativos fazem todo sentido em uma carteira diversificada, pelo fato de cumprirem papéis distintos de proteção e rentabilidade em linhas gerais — comenta.

Ela ainda afirma que as taxas pós-fixadas garantem ao investidor aderência ao cenário atual, quando os ativos vão se valorizando acompanhando a subida das taxas de juros:

— O investidor consegue ter boas taxas em fundos DI e no tesouro Selic, com liquidez, o que é importante, caso o cenário mude ou surjam oportunidades interessantes. Ter caixa de oportunidades é sempre interessante.

Meneghel recomenda que apenas uma pequena posição seja alocada em prefixados, até 15% do patrimônio em ativos híbridos, como IPCA+, e 30% em pós-fixados.

— Como temos eleições polarizadas pela frente, não sabemos quem vai ganhar, investimentos pós-fixados são mais cautelosos.

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