Com troca na Petrobras, movimentação para criar CPI esfria no Congresso

Após a troca na presidência da Petrobras, a possibilidade de abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a estatal perdeu força no Congresso. A ideia havia sido ventilada pelo presidente da República, Jair Bolsonaro, e o da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), que pressionou pela renúncia do então presidente José Mauro Coelho, substituído interinamente por Fernando Borges, diretor de Exploração e Produção.

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Após uma reunião da bancada petista no Senado, a oposição desistiu de abrir uma CPI antes dos parlamentares governistas. A avaliação foi a de que a pressão era um balão de ensaio para forçar a renúncia de José Mauro Coelho, conforme afirmou o líder da oposição na Casa, Jean Paul Prates (PT-RN). A informação foi dada pela colunista do GLOBO Malu Gaspar.

— Tudo indica que este balão de ensaio foi uma tentativa de pressionar pela demissão de José Mauro Coelho da empresa — disse o senador.

Prates defendeu que, no lugar de uma CPI, o Congresso apresente projetos que regulem as políticas da estatal para reduzir o preço dos combustíveis:

— Em breve traremos ao Congresso mais projetos: o principal pretende reforçar o controle social da Petrobras como previsto na Lei das Estatais, para que ela faça aquilo que foi criada para fazer: ser uma empresa pública, que pensa no povo Brasileiro.

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De acordo com demais membros da oposição de outros partidos, desistir de abrir uma CPI da Petrobras antes do governo foi um recuo estratégico.

'Cortina de fumaça'

O líder do PT na Câmara, Reginaldo Lopes (MG), chamou de “cortina de fumaça” a ventilação da comissão parlamentar de inquérito e afirmou que tratará sobre o assunto em uma reunião da bancada do partido nesta terça-feira.

— A CPI é uma cortina de fumaça. Se fosse no início do governo, poderíamos até aprovar [uma CPI] para mostrar como estão lucrando com a Petrobras. Mas agora é cortina de fumaça em ano eleitoral — disse Lopes.

A tendência da oposição da Câmara é acompanhar o Senado e abrir mão da comissão. Essa hipótese já é admitida inclusive por deputados autores de pedidos de CPI para investigar a Petrobras. Nereu Crispim (PSD-RS) e Paulo Ramos (PDT-RJ), que apresentaram no ano passado pedidos para abrir a comissão parlamentar de inquérito afirmaram que não conseguiram apoio para tal.

No Senado, também não houve movimentação para abertura de comissão parlamentar de inquérito por parte do líder do governo no Senado, Carlos Portinho (PL-RJ). A avaliação é que, com grande parte dos governistas na Casa concorrendo na eleição deste ano em seus estados, não há clima para abrir uma CPI.

Pacheco rejeita CPI

Em entrevista à jornalista Andréia Sadi, o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), afirmou que não vê fatos para abrir uma CPI da Petrobras e que é preciso discutir medidas legislativas para a estatal.

— CPI é para casos muitos excepcionais e fatos constituídos. Nesse caso, não antevejo de pronto práticas criminosas — disse Pacheco em entrevista à Sadi — Podemos encontrar mecanismos mais efetivos no legislativo do que a CPI.

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