Com venda da escola Eleva, grupo educacional de Lemann deixa segmento 'premium' e vai mudar de nome

RIO - A Gera Capital, gestora de recursos que tem Jorge Paulo Lemann entre os sócios, fechou a venda da Eleva Global — grupo de escolas premium — para o britânico Inspired Education Group, líder internacional no segmento, como antecipou o colunista do GLOBO Lauro Jardim.

A Eleva Global soma sete mil alunos distribuídos em Escola Eleva, com duas unidades no Rio, uma em Recife e outra em Brasília; Os Batutinhas (TJ), Gurilândia e Land School, na Bahia, e Centro Educacional Leonardo da Vinci (ES).

— Nosso foco é pensar no que é melhor para o aluno. No caso da Eleva Global, se o foco é ter colégios brasileiros globais, com qualidade, bilinguismo e horário integral, acreditamos que o melhor é estar em um ambiente global. E o Inspired é a referência nesse segmento premium — diz Duda Falcão, Co-CEO da Escolas Globais Eleva Educação.

A Eleva Global já operava como uma unidade em separado da Eleva Educação, embora estivessem sob a mesma gestãom representando 5% dos alunos no portfólio educacional.

Assim, as operações da Eleva Educação, que inclui as unidades Eleva Excelência, com 115 mil alunos em 180 unidades de 22 marcas diferentes de escolas de educação básica pelo país, e Pátio, de soluções educacionais em grande parte ancoradas em tecnologia, estão preservadas. E ganham fôlego para ampliar investimentos em expansão, aquisições e no lançamento de novos produtos e soluções.

om a venda da unidade que reúne as escolas premium, a Eleva Educação deixará de atuar nesse segmento de perfil global, diz a executiva:

— Apesar da venda, manteremos uma relação de parceria com a Global. Não há a intenção futura de concorrer, então saímos dessa categoria premium. Vamos focar na Eleva Excelência, onde começamos em 2014 com o objetivo de transformar mais vidas por meio da escola tradicional brasileira, com público diverso, para crescer nacionalmente, num escopo que vai da marca Elite a Pensi e PH, que já incluem algumas unidades com ensino bilíngue. Vamos também ampliar a oferta de produtos pedagógicos de ponta para o mercado educacional por meio da Patio.

Na Eleva Global, o tíquete das unidades da Escola Eleva, por exemplo, é de R$ 6 mil ao mês. Na escolas da Eleva Excelência, as mensalidades variam entre R$ 800 e R$ 3.500.

Finanças reforçadas

O valor da transação não foi divulgado. Na última quarta-feira, contudo, o Inspired demonstrou estar com o caixa preparado para sair às compras globalmente. Anunciou uma parceria com o fundo americano Stonepeak, focado em infraestrutura e ativos reais, que inclui receber um aporte de € 1 bilhão em troca de uma participação minoritária na companhia britânica.

Com esse apoio, informou o Inspired, a meta é acelerar seu crescimento e sua expansão global, passando por "aquisições específicas de escolas de ponta". De outro lado, a expertise do Stonepeak em escalar negócios vai ajudar o grupo de educação a cumprir a meta de subir ao posto de organização de maior impacto globalmente em educação.

“Tenho orgulho de ter reunido alguns dos mais importantes fundos de blue-chips (ações de companhias que apresentam melhor desempenho em bolsa) para apoiarem nossa expansão, incluindo GIC (Fundo Soberano de Cingapura), TA Associates, Warburg Pincus e os escritórios de gestão de fortunas Oppenheimer e Mansour”, disse Nadim M Nsouli, CEO do Inspired e presidente do Conselho de Administração da companhia britânica, em comunicado.

O grupo tem sede em Londres e conta com mais de 55 mil alunos distribuídos em 75 escolas em 21 países. Espanha, Itália, Portugal, África do Sul e Nova Zelândia estão entre eles.

“Nós dedicamos bastante tempo nos últimos anos avaliando oportunidades de expansão no Brasil e estamos orgulhosos em receber o principal grupo brasileiro de escolas premium”, destacou Nadim Nsouli, fundador e CEO da Inspired, sobre a aquisição da Eleva Global.

IPO no ano que vem

No início de 2021, a Eleva Educação comprou 51 escolas da Cogna, numa transação de R$ 964 milhões, elevando a companhia a líder no segmento de educação básica privada no Brasil. O negócio, explica Bruno Elias, Co-CEO da Eleva Educação, adiou os planos da abertura de capital em bolsa (IPO, na sigla em inglês) pelo grupo.

— Estávamos prontos para o IPO em 2021, mas preferimos adiar para adquirir a operação da Cogna pela grande geração de valor para a Eleva Educação no longo prazo. Focamos em atuar para melhorar a educação no Brasil, mas também atuamos para garantir retorno financeiro aos investidores — destaca ele.

É “pouco provável” que a abertura de capital ocorra este ano, continua Elias, devendo ocorer a partir de 2023.

— Chegar à Bolsa é uma forma de deixar a companhia mais capitalizada, permite financiar de um jeito mais simples e mais rápido a gestão e a expansão de serviços, marcas e produtos — diz o executivo.

Até o fim deste ano, a nome Eleva Educação será substituído por uma outra marca. Elias e Duda reconhecem que pode haver um impacto, mas ressaltam que o grupo sempre atuou valorizando cada marca no portfólio, como Elite e Pensi, por exemplo. E que seguirão atuando dessa forma.

A Patio vem avançando com soluções tecnológicas escaláveis para a comunidade de educação. Já conta, por exemplo, com a Agenda Edu, aplicativo para a comunicação entre as escolas e os pais e responsáveis dos alunos; e a Liv, de competências socioemocionais.

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