Com 'Yerma' e 'Lago dos Cisnes', Teatro Municipal anuncia meia temporada 2020

Marvio dos Anjos
O Teatro Municipal

RIO — Programada com zelo estudado, mas confirmada só por um semestre. É assim que a temporada 2020 do Teatro Municipal se abre para o público, no que já é um avanço em relação aos últimos anos, mas não quita a dívida de previsibilidade contraída com seus frequentadores. É verdade que a Orquestra Sinfônica Brasileira abre sua série hoje, às 17h, com regência do maestro Neil Thomson e obras de Nepomuceno, Carlos Gomes, Villa-Lobos Cláudio Santoro, mas as produções oficiais do teatro só começam em março.A casa da praça Floriano dará os seus primeiros agudos próprios com a soprano americana Sondra Radvanovsky e a Sinfônica do Municipal no dia 13 de março, na volta da Série Grandes Vozes - os ingressos já estão à venda. A série confirmou ainda a soprano sul-africana Pretty Yende (13/6), a mezzo georgiana Anita Rachvelishvili (15/8) e a soprano italiana Maria Agresta (11/10).

Na ópera, a dupla André Heller-Lopes (diretor artístico) e Ira Levin (americano, diretor musical), mostra arrojo nos títulos de sua primeira temporada em parceria carioca. Juntas, “Il tabarro” (Giacomo Puccini) e a raramente encenada “La vida breve” (Manuel de Falla) abrem a temporada lírica em forma de concerto cênico, nos dias 22 e 27 de março, com a soprano Eliane Coelho e direção de Juliana Santos. Em abril, haverá “Yerma”, de Villa-Lobos sobre peça de García Lorca, um velho sonho de Heller-Lopes:— É uma obra magnífica, que nunca foi montada na íntegra, e que é cercada de folclores sobre sua dificuldade. Pela primeira vez ela vai ser feita sem cortes.Maio ouvirá o início da criativa curadoria de Ira Levin, que fará com a orquestra e coro do Municipal um programa chamado “Horizontes de Terra e Mar”, em que obras de Chausson e Villa-Lobos se encontram com a contemporaneidade do brasileiro Ronaldo Miranda. Esse tipo de programa também deve celebrar, no segundo semestre, os 250 anos de Beethoven e os 100 anos sem Alberto Nepomuceno.Em julho, quando o teatro faz 111 anos, virá a montagem de Miguel Falabella para “A viúva alegre”, de Lehár. No balé, o hit “O Lago dos Cisnes“ está dentro. O restante, porém, espera o segundo semestre.— O estado do Rio vive um processo muito particular de recuperação fiscal, logo orçamento nos condiciona a um pouco de cautela — diz a secretaria de Cultura do estado, Danielle Barros, há dois meses no cargo — Temos o retorno do patrocínio da Vale, que além da Petrobras nos possibilitaria fazer um anúncio do ano. Mas a gente ainda preferiu fazer um anúncio semestral.Alem da contratação de músicos para rechear até dezembro as lacunas imediatas que a orquestra tem - coro e balé também deverão ser preenchidos mais à frente -, a verba da Vale deverá dar voos a outros projetos: Danielle quer que parte do orçamento permita que corpos artísticos se apresentem fora do teatro no segundo semestre. E não foram esquecidos os avanços que a estrutura exigia, que geraram fiscalizações ruidosas em 2019.— Nos já estamos debruçados sobre esses problemas, é uma casa de 111 anos — diz Aldo Mussi, presidente da Fundação Teatro Municipal, salientando que os certificados de segurança foram obtidos. — Nós fizemos a troca dos transformadores, que antes eram a óleo e que podiam gerar foco de incêndio. Agora são digitais.Segundo Mussi, a casa também aproveitou a pausa para reformas da parte elétrica e a aquisição da nova cortina (que tem movimentos especiais e custa R$ 700 mil) com apoio de iniciativa privada e do BNDES. Uma compra de piso para balé também está na pauta. Em contrapartida, a casa deverá ter preços populares em boa parte de suas noites, com repetição da promoção de domingos a R$ 1 em alguns programas.