Comandante do Nordeste é favorito para assumir vaga de Pujol no Exército

Redação Notícias
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Marco Antônio Gomes Freire é o favorito para assumir o Exército - Foto: Divulgação/Exército Brasileiro
Marco Antônio Gomes Freire é o favorito para assumir o Exército - Foto: Divulgação/Exército Brasileiro
  • Marco Antônio Gomes Freire é o favorito para ocupar a vaga de Edson Pujol

  • Caso essa seja sua opção, Bolsonaro passará por cima de tradição do Exército

  • Além de Pujol, Ilques Barbosa (Marinha) e Antônio Carlos Moretti Bermudez (Aeronáutica) também deixaram o comando

Mal anunciou a saída de Edson Pujol do comando do Exército, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) já tem um favorito para ocupar o seu lugar. Trata-se do general Marco Antônio Gomes Freire, comandante militar no Nordeste.

As informações são do Estadão. De acordo com o jornal, Bolsonaro repetiria um expediente utilizado por Dilma Rousseff em 2015 e fugiria da tradição da escolha dos comandantes, que no Exército obedece a antiguidade dos generais quatro estrelas.

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Se naquele ano Dilma optou por Eduardo Villas Bôas, mesmo ele sendo o terceiro na ordem, desta vez Bolsonaro “aposentaria” seis generais mais antigos do que Gomes Freire e que passariam à reserva com a escolha de um nome com menos tempo de Exército.

O presidente escaparia do nome que está prestes a tornar-se o mais antigo entre os generais de quatro estrelas: José Freitas, atual comandante de Operações Terrestres. À frente dele, estão apenas Décio Schons e César Augusto de Nardi, que passarão à reserva em abril e foram substituídos no Alto Comando.

Por isso, a tradição indica que seria de José Freitas a preferência para assumir o Exército. Mas Freitas é conhecido por se opor a diversas investidas políticas do presidente, justamente o que Bolsonaro visa evitar com a substituição.

Troca de comando nas três Forças Armadas

Além de Pujol, o Ministério da Defesa anunciou as saídas dos comandantes das outras duas Forças Armadas: Ilques Barbosa (Marinha) e Antônio Carlos Moretti Bermudez (Aeronáutica). É primeira vez desde 1985 que os três comandantes deixam o cargo ao mesmo tempo sem ser em troca de governo.

Comandantes da Marinha, Ilques Barbosa; do Exército, Edson Pujol; da Aeronáutica, Antônio Carlos Moretti Bermudez (Foto: Fábio Rodrigues Pozzobom/Agência Brasil)
Comandantes da Marinha, Ilques Barbosa; do Exército, Edson Pujol; da Aeronáutica, Antônio Carlos Moretti Bermudez (Foto: Fábio Rodrigues Pozzobom/Agência Brasil)

O anúncio acontece um dia após o ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, ter deixado o cargo. No lugar dele, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) já anunciou o general da reserva Walter Souza Braga Netto, que até então comandava a Casa Civil.

Bolsonaro insatisfeito com o afastamento das Forças Armadas

Nesta segunda-feira (29), o ex-ministro da Defesa, Fernando Azevedo e Silva, anunciou que deixou o governo Bolsonaro, afirmando que sai "na certeza da missão cumprida".

Apesar do anúncio de saída, Azevedo e Silva não justificou o motivo para deixar o Ministério da Defesa no governo. Ele foi anunciado por Bolsonaro ainda em 2018, durante o governo de transição. Antes de ser ministro, ele era assessor do então presidente ministro do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli.

Horas depois do anuncio da saída, no entanto, o jornal Folha de S. Paulo noticiou que Bolsonaro decidiu demitir o ministro da Defesa, porque estava insatisfeito com o afastamento do serviço ativo das Forças Armadas do governo.

Reforma ministerial

Pressionado pelo Congresso, o presidente Jair Bolsonaro fez nesta segunda-feira (29) a sua primeira reforma ministerial após mais de dois anos de governo. De uma única vez, fez seis mudanças em alguns dos seus principais ministérios e sacramentou a entrada do Centrão no Palácio do Planalto.

Em nota, a Presidência da República confirmou a nomeação da deputada Flávia Arruda (PL-DF) na Secretaria de Governo, responsável pela articulação política junto ao parlamento. Flávia é integrante do PL, comandado por Valdemar Costa Neto, um dos principais líderes do Centrão.

Valdemar vem liderando a aproximação do partido com Bolsonaro — a sigla emplacou nomes na presidência do Banco do Nordeste e na diretoria do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE).

Ela substitui Luiz Eduardo Ramos, que será transferido para a Casa Civil. Com a troca, Walter Braga Netto irá para o Ministério da Defesa.

Além disso, o delegado da Polícia Federal Anderson Gustavo Torres assume o Ministério da Justiça e Segurança Pública. Assim, André Mendonça vai para a Advocacia-Geral da União.

Em outra troca, o embaixador Carlos Alberto Franco França assumirá o comando do Ministério de Relações Exteriores.

Mais cedo, o governo já havia recebido a demissão de Ernesto Araújo, do Ministério das Relações Exteriores, e de José Levi, da AGU. Já o ministro da Defesa, Fernando de Azevedo e Silva, teve a saída pedida pelo próprio presidente Jair Bolsonaro.

Confira o que mudou na reforma ministerial do governo Bolsonaro

Secretaria de Governo

  • Sai: General Luiz Eduardo Ramos

  • Assume: Deputada Flávia Arruda (PL-DF)

Casa Civil

  • Sai: General Walter Souza Braga Netto

  • Assume: General Luiz Eduardo Ramos

Ministério da Defesa

  • Sai: General Fernando de Azevedo e Silva

  • Assume: General Walter Souza Braga Netto

Ministério das Relações Exteriores

  • Sai: Ernesto Araújo

  • Assume: Carlos Alberto Franco França

Ministério da Justiça

  • Sai: André Mendonça

  • Assume: Delegado da PF Anderson Gustavo Torres

AGU (Advocacia-Geral da União)

  • Sai: José Levi

  • Assume: André Mendonça