'Comando de golfinhos', uma prática militar usada por Rússia e EUA

Golfinhos ensaiam espetáculo em Alushta, na Crimeia, em 24 de abril de 2014 (AFP/Yuriy Lashov) (Yuriy Lashov)

A detecção de golfinhos no Mar Negro em plena guerra na Ucrânia trouxe à tona o uso de mamíferos marinhos por décadas por vários exércitos, especialmente os dos Estados Unidos e da Rússia.

Em 27 de abril, o Instituto Naval dos Estados Unidos (USNI) mostrou fotos de satélite alegando que no final de fevereiro a Rússia moveu dois recintos de golfinhos na Crimeia, coincidindo com o lançamento de sua ofensiva militar na Ucrânia.

Esses dois recintos móveis estariam agora na "entrada do porto de Sebastopol", a base da Frota Russa do Mar Negro, fora do alcance dos mísseis ucranianos, mas expostos a atos de sabotagem submarina.

Diante da ameaça, os golfinhos podem desempenhar um papel fundamental, impedindo que "as forças de operações especiais ucranianas se infiltrem no porto para sabotar navios de guerra", ressalta H.I Sutton, especialista americano em submarinos.

Os golfinhos têm a capacidade de detectar mergulhadores, minas ou outras presenças potencialmente perigosas, especialmente em águas costeiras rasas ou portos movimentados.

"O golfinho tem uma capacidade de detecção extraordinária. É um animal muito eficaz, especialmente para detectar nadadores de combate em águas pouco profundas", explica uma fonte militar ocidental.

"Devemos ter em mente que o nadador de combate navega com oxigênio puro, não emite bolhas, não emite ruído, por isso é necessário um sonar ativo para detectá-lo, daí o interesse do golfinho", acrescenta.

- Sonda ultrassofisticada -

Conscientes do potencial desses mamíferos equipados com sonares, Estados Unidos e Rússia iniciaram programas de treinamento de golfinhos para fins militares na década de 1960.

"Quando os serviços de inteligência soviéticos souberam do que os golfinhos dos EUA eram capazes de fazer na década de 1960, nosso exército decidiu investir no assunto", comentou à AFP o oficial russo aposentado Viktor Baranets em 2016.

Em sua base na Crimeia, os golfinhos soviéticos foram treinados, entre outras coisas, para plantar explosivos em navios inimigos e detectar torpedos e destroços abandonados no fundo do Mar Negro, segundo Baranets.

Enquanto isso, o programa de mamíferos da Marinha americana em San Diego testou uma dúzia de espécies de mamíferos marinhos, retendo apenas dois, leões marinhos da Califórnia e golfinhos.

Estes últimos foram usados durante a Guerra do Vietnã para detectar nadadores de combate e na segunda Guerra do Golfo realizaram operações de desminagem.

A Rússia pode agora ser tentada a recorrer aos golfinhos, já que a Ucrânia afirma ter afundado o navio russo "Moskva" e destruído dois barcos de patrulha russos perto da Ilha da Cobra.

Não é a primeira vez que a Rússia usa essa técnica de deslocamento de cetáceos.

Em 2018, vários golfinhos da frota russa foram enviados para a base naval de Tartus, na Síria, segundo a USNI, com recintos móveis "muito semelhantes" aos atualmente no porto de Sebastopol.

Um ano depois, a descoberta na Noruega de uma baleia beluga usando um arnês estampado com "Team St. Petersburg" alimentou suspeitas de possível uso militar pelos russos.

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