Comando Militar da Amazônia informou que só iniciaria buscas com ordens de 'escalão superior'

O Comando Militar da Amazônia, do Exército Brasileiro, informou, no início da tarde de ontem (06/06), quando o servidor da Funai Bruno Araújo Pereira e o jornalista Dom Phillips já estavam desaparecidos há mais de 24h, que "tinha condições de cumprir a missão humanitária de buscas e salvamento" dos dois, "como tem feito ao longo de sua história, contudo as ações serão iniciadas mediante acionamento por parte do Escalão Superior". A nota provocou indignação nas redes sociais.

Ontem, a seção de comunicação social do CMA disse, entretanto, que no início da noite, o 8º Batalhão de Infantaria na Selva, sediado em Tabatinga, cidade próxima ao local onde o servidor e o correspondente estrangeiro desapareceram, já procuravam pelos dois tanto em rios da região quanto em ramais de terra que ligam alguns municípios próximos. Perguntada, a unidade não soube responder de quem partiu a ordem e a que horas foi dada a largada na operação de buscas.

Os militares usam lanchas Guardian e voadeiras que tem casco de alumínio e facilitam as manobras em rios com muitas pedras. As buscas foram interrompidas no início da madrugada devido à dificuldade de locomoção na selva mesmo para militares experientes. Hoje pela manhã (07/07) os trabalhos foram retomados. O CMA não informou quantos homens do batalhão estão envolvidos nas buscas. O roteiro se concentra principalmente nos rios Javari, um afluente do Solimões, e Itaquari, que fica em Atalaia do Norte. Bruno e Dom Phillips tinham saído da comunidade ribeirinha de São Rafael e seguiam para Atalaia do Norte, quando desapareceram no domingo.

Bruno é servidor de carreira da Funai e já coordenou uma unidade do órgão no Vale do Javari, onde agora está desaparecido. A região concentra uma das maiores comunidades de indígenas isolados do país e, nos últimos anos, vem sofrendo ataques de invasores como garimpeiros, pescadores ilegais e madeireiros. O servidor público já tinha recebido uma série de ameaças, a última pouco antes de seu desaparecimento, de pescadores ilegais. Dom Phillips, que escrevia o livro "Como salvar a Amazônia?" era um apaixonado pelo ecossistema e escrevia sobre o tema como colaborador de vários jornais, entre eles, o inglês "The Guardian". Segundo o CMA, nem a organização indígena Univaja do Vale do Javari, a primeira a denunciar o desaparecimentos de Bruno e Dom Phillips, nem o jornal inglês informaram oficialmente ao Exército sobre o ocorrido, o que levou à demora no início das ações.