Combate à pobreza tem de ser sonho compartilhado

A Gerando Falcões organiza todos os anos um jantar chamado Favela Gala, um evento que visa a combater a pobreza na favela. Como ficamos dois anos sem poder realizar o evento, devido à pandemia, a edição 2022, que ocorrerá em agosto, terá um sabor especial de reencontro.

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A volta do Favela Gala me deixou feliz, mas também um pouco apreensivo. Depois de tanto tempo, será que o interesse pelo evento ainda era o mesmo? Colocamos as entradas à venda há poucos dias. Para minha surpresa, todas as mesas se esgotaram em cinco dias. Empresários, CEOs, CFOs, filantropos, famílias tradicionais e parte expressiva do PIB brasileiro decidiram comparecer em peso a um evento dedicado à agenda do combate à pobreza. Há uma fila de pessoas que tentaram e não conseguiram comprar uma entrada, já que o espaço comporta somente 500 pessoas.

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O sucesso do Favela Gala 2022 me mostrou como a sociedade brasileira, incluindo sua elite, mantém a capacidade de se engajar numa causa.

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As grandes transformações só costumam ocorrer quando toda a sociedade demonstra seu descontentamento em relação a um problema e, a partir disso, se articula para encontrar uma solução. Na corrida social, esse sentimento de união e responsabilidade coletiva é nosso combustível de foguete, capaz de produzir saltos qualitativos impressionantes.

O que me leva a uma segunda lição deixada pelo sucesso do Favela Gala. A Gerando Falcões existe para derrubar muros e construir pontes entre ricos e pobres, entre a periferia e o centro, entre quem precisa de ajuda e quem pode ajudar. Mas noto com tristeza que há setores da sociedade dispostos a erguer ainda mais muros. Não falo aqui somente de desigualdade social, mas de barreiras feitas de ódio, intolerância, medo e violência.

Não há risco maior para um povo do que permitir que esses sentimentos ganhem força. Uma das palavras de ordem da Gerando Falcões é “tamojunto” precisamente porque o país só encontrará o caminho do desenvolvimento e da justiça social com a ajuda dos brasileiros de todas as raças, credos, gêneros, ideologias, gostos, culturas. Juntos, podemos transformar a pobreza da favela em artigo de museu. Por isso estão investindo seu tempo, seu conhecimento e seu dinheiro numa causa social. Estão usando sua influência para construir pontes.

Um evento como o Favela Gala mostra que podemos escolher nos conectar a partir de valores e objetivos compartilhados. Podemos encontrar terreno comum. É simbólico que estejamos falando aqui de um jantar. Afinal, não há representação mais poderosa e atemporal da ideia de solidariedade que a imagem da partilha do pão.

Essa parcela da elite que esgotou em poucos dias as mesas do Favela Gala deixa para nós um exemplo contundente. A sociedade civil tem, sim, a capacidade de impulsionar mudanças estruturais. Basta que todos estejamos dispostos a dialogar, a tolerar, a conviver de maneira fraterna e a compartilhar os sonhos que nos unem.

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