Combatentes curdos negam envolvimento em atentado em Istambul

A Turquia enterrou, nesta segunda-feira (14), as seis vítimas do atentado cometido no domingo (13) na avenida Istiklal de Istambul, atribuído pelas autoridades aos movimentos curdos PKK e YPG, que negaram qualquer envolvimento.

O ataque ainda não foi reivindicado.

Na cidade de Adana (sul), realizou-se o funeral da pequena Ecrin, de 9 anos, que faleceu com o pai enquanto esperavam pela mãe, que tinha entrado numa das muitas lojas da rua comercial.

As outras quatro vítimas foram enterradas em Istambul.

O prefeito da cidade, Ekrem Imamoglu, carregou o caixão de uma jovem e ajudou a cobri-lo com terra com uma pá.

Os seis pedestres morreram quando um dispositivo carregado com TNT explodiu no meio da rua movimentada.

Mais de 80 pessoas ficaram feridas, cerca de vinte seguem hospitalizadas.

As autoridades foram rápidas em acusar os combatentes do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) e seus aliados na Síria, anunciando 47 prisões, incluindo a de uma mulher que supostamente plantou a bomba: uma síria de 23 anos que teria agido sob ordens desses grupos.

No entanto, o PKK negou nesta segunda-feira qualquer participação no ataque.

"Não temos relação com este evento, não atacamos civis e rejeitamos ações que o façam", disse a agência de notícias ANF, próxima ao PKK, em nota.

Os combatentes sírios curdos, apoiados pelos EUA e acusados por Ancara, também negaram participação no ataque.

"Garantimos que nossas forças não têm ligação com a explosão em Istambul e rejeitamos as acusações contra elas", disse Mazlum Abdi, comandante-chefe das Forças Democráticas da Síria (FDS), em um tuíte.

A mulher presa, apresentada como Alham Albashir, teria entrado clandestinamente na Turquia passando por Afrin, cidade do nordeste da Síria controlada por soldados turcos e sírios.

A polícia afirmou que ela recebeu ordens na cidade de Kobane, também no nordeste da Síria e sob controle de movimentos curdos, aliados do PKK.

O artefato explosivo era composto de "TNT de alta potência", segundo a polícia, que afirma ter encontrado no apartamento, localizado em Kucukcekmece, nos arredores de Istambul, uma grande quantia de dinheiro em euros e peças de ouro em uma bolsa, assim como uma pistola e cartuchos.

- "Em um banco" -

Segundo o ministro da Justiça, Bekir Bozdag, uma "mulher sentou-se em um banco por 40 ou 45 minutos, e um ou dois minutos depois houve uma explosão".

A imprensa turca divulgou uma imagem de uma câmera de vigilância na avenida Istiklal, que mostra uma jovem com calça camuflada e um véu preto atravessando a multidão, e que foi designada como quem plantou a bomba.

O ministro do Interior acusou as forças curdas do YPG, as Unidades de Proteção Popular, que controlam a maior parte do nordeste da Síria, de serem as responsáveis pelo ataque.

"Acreditamos que a ordem do ataque foi dada em Kobane", afirmou.

Ancara considera o YPG e o PKK como "grupos terroristas". Mas os dois grupos negam energicamente a participação no atentado.

Nesta segunda-feira, a Turquia rejeitou as condolências dos Estados Unidos pelo atendado, alegando que Washington "apoia os terroristas de Kobane".

A cidade de Kobane ganhou notoriedade pela batalha de 2015 que permitiu que as forças curdas apoiadas pelos EUA repelissem o grupo jihadista Estado Islâmico (EI).

A movimentada avenida Istiklal, fechada parcialmente no domingo, foi reaberta nesta segunda-feira pela manhã. Mas todos os bancos foram retirados, observou a AFP.

Um tapete vermelho cobria o local da explosão e transeuntes depositavam cravos vermelhos.

As vítimas foram enterradas nesta segunda-feira.

O PKK é considerado uma organização terrorista por Turquia, Estados Unidos e União Europeia, e mantém uma luta armada contra o governo turco desde os anos 1980. Ancara o acusou no passado de ser responsável por ataques sangrentos em território turco.

O PKK está no centro da disputa entre Suécia e Turquia, que desde maio bloqueia sua entrada na Otan, acusando-a de ser muito tolerante com o grupo.

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