Combates com forças russas se intensificam em cidade ucraniana de Soledar

A cidade ucraniana de Soledar (leste) continua sendo cenário de "intensos combates" entre as forças russas e ucranianas, em um momento em que a Rússia tenta reverter o curso do conflito e nomeou um novo comandante para chefiar a ofensiva.

"Tudo o que acontece em Bakhmut ou Soledar faz parte das cenas mais sangrentas desta guerra", disse à AFP Mikhailo Podoliak, conselheiro da Presidência ucraniana.

Os combates "prosseguem" em Soledar, o front "se mantém", disse durante a tarde o presidente ucraniano, Volodimir Zelensky. "Fazemos o possível para reforçar a defesa ucraniana sem nenhuma pausa, nem sequer por um dia".

Soledar, outrora conhecida por suas minas de sal, tem sido alvo de uma ofensiva russa há semanas. A cidade, que antes do conflito tinha cerca de 10.000 habitantes, fica perto de Bakhmut, um local da região de Donetsk que os russos tentam conquistar há meses.

O grupo paramilitar russo Wagner anunciou a tomada desta pequena localidade, que está totalmente devastada pela guerra. Mas esta afirmação foi desmentida pelos militares ucranianos e pelo exército russo.

A conquista de Soledar significaria uma vitória militar simbólica para Moscou, após vários reveses das tropas russas no terreno desde setembro.

"Estão sendo travados intensos combates em Soledar", afirmou a vice-ministra ucraniana da Defesa, Ganna Maliar, pelo Twitter.

Os russos tentaram "romper a defesa" ucraniana e "capturar completamente a cidade, mas sem sucesso", acrescentou.

O ministério da Defesa russo informou, em nota, que suas tropas aerotransportadas "bloquearam as zonas norte e sul de Soledar".

"As forças russas estão atacando os redutos inimigos. Forças de assalto estão lutando na cidade", destacou.

- Perdas "enormes" -

O governo russo se mostrou prudente sobre a situação no terreno.

"Não é preciso ter pressa. Esperemos as declarações oficiais", disse à imprensa o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, acrescentando que havia "uma dinâmica positiva no avanço" das forças russas.

Um soldado ferido, com quem a AFP se encontrou enquanto era evacuado pela rodovia entre Bakhmut e Sloviansk, afirmou que "ninguém prevê deixar a cidade".

Os russos "não tomaram por completo" Soledar, acrescentou.

Segundo Podoliak, as perdas militares russas são "enormes" e o exército ucraniano também está perdendo efetivos.

O Ministério da Defesa da Ucrânia informou que durante o dia o país foi atingido por dois misseis e 22 bombardeios russos.

- Novo comandante militar russo -

Em meio à violenta ofensiva, a Rússia anunciou que substituiu novamente o comandante de sua ofensiva na Ucrânia, nomeando desta vez o general Valery Guerasimov, chefe do Estado-Maior do Exército, um interlocutor direto com o presidente russo, Vladimir Putin.

Guerasimov substituirá Serguei Surovikin, que tinha chegado ao posto em novembro com o objetivo de superar várias derrotas nas regiões de Kharkiv, no nordeste e de Kherson, no sul.

A Surovikin - que será adjunto de Guerasimov - atribui-se a tática de lançar ataques maciços contra a infraestrutura energética da Ucrânia.

- Polônia disposta a enviar tanques -

A Ucrânia reiterou os pedidos aos aliados ocidentais para que enviem "mais" armas e equipamentos militares.

"Só os mísseis com alcance de mais de 100 km vão nos permitir acelerar de forma significativa a desocupação dos territórios", disse Podoliak.

Ele assegurou que se Kiev conseguir estas armas, se absterá de atacar o território russo. "Travamos uma guerra exclusivamente defensiva", reforçou.

A Ucrânia quer obter entre 250 e 350 veículos pesados, enquanto os aliados ocidentais, como Alemanha, França, Estados Unidos e Reino Unido só se comprometeram a enviar veículos leves.

A Polônia deu um primeiro passo neste sentido, ao se declarar disposta a enviar 14 tanques Leopard, de fabricação alemã.

O presidente polonês, Andrzej Duda, afirmou que seu país está disposto a enviar veículos "no âmbito de uma coalizão internacional".

Na esfera diplomática, os encarregados de direitos humanos de Rússia e de Ucrânia, Dmytro Lubinets e Tatiana Moskalkova, se reuniram na terça-feira, na Turquia.

Os dois funcionários "abordaram uma grande diversidade de problemas humanitários e casos relacionados à assistência em direitos humanos aos cidadãos de ambos os países", disse Lubinets nas redes sociais.

"Falou-se sobre ajuda humanitária aos cidadãos" ucranianos e russos, disse Moskalkova.

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