Combates entre guerrilheiros curdos e soldados turcos na fronteira síria

Combatentes das YPG e policiais curdos, na cidade de Derik, Síria

Soldados turcos e guerrilheiros curdos se enfrentaram nesta quarta-feira na fronteira nordeste da Síria, indicou o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH) no dia seguinte de vários bombardeios da aviação turca na área.

Os combates explodiram "depois que as Unidades de Proteção do Povo Curdo (YPG) abriram fogo contra um veículo blindado do exército turco, que havia cruzado a fronteira entre Turquia e Síria", afirmou o Observatório.

Além disso, as forças curdas da Síria pediram nesta quarta-feira o estabelecimento de uma zona de exclusão aérea no norte do país.

"Apenas quando o norte da Síria for decretado uma zona de exclusão aérea, as YPG poderão defender o país sem obstáculos. A Turquia deve respeitar a zona de exclusão aérea", escreveram as YPG no Twitter.

A Turquia efetuou disparos de artilharia contra posições das YPG no oeste de Darbasiyah, uma localidade fronteiriça na província síria de Hassaké, enquanto os combatentes curdos lançaram morteiros contra postos avançados do exército turco, afirmou o diretor do OSDH, Rami Abdel Rahman, que não informou sobre vítimas.

As YPG são o principal grupo das Forças Democráticas Sírias (FDS), uma aliança curdo-árabe, que combate o grupo extremista Estado Islâmico (EI) na Síria e que é apoiada pelos Estados Unidos.

O porta-voz das YPG, Redur Xelil, confirmou à AFP que a Turquia atacou vários setores em torno de Darbasiyah "com artilharia pesada".

Na quarta-feira, as FDS acusaram Ancara de atacar as YPG para "obstaculizar o avanço da batalha por Raqa", principal reduto do grupo EI na Síria e último objetivo de uma ofensiva em curso das FDS.

As YPG afirmaram nesta quarta-feira que a Turquia bombardeou, pelo menos, três setores diferentes ao longo da fronteira, incluindo Darbasiyah.

Os combates ocorrem no dia seguinte a Ancara bombardear um quartel-general das YPG a 150 km mais a leste, deixando 28 mortos, principalmente membros das YPG, e 19 feridos, segundo o OSDH.

Em Qamichli, cidade do nordeste da Síria de maioria curda, centenas de pessoas protestaram contra os bombardeios turcos e pediram uma zona de exclusão aérea no norte do país.

"Esta mensagem não é apenas dirigida à Turquia, mas também aos Estados Unidos e ao mundo: é preciso enfrentar a agressão turca com uma postura forte", disse o manifestante Mohamed Mahmud.

Ancara considera as YPG um grupo "terrorista" por seu vínculo com o Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK, separatistas curdos turcos), e na terça-feira também atacou posições do PKK e de seus aliados locais no Iraque.

A coalizão, liderada pelos Estados Unidos, por sua vez, condenou a Turquia por notificar de forma inadequada antes de seus ataques aéreos contra posições curdas na Síria e no Iraque.

"Houve menos de uma hora de tempo de notificação antes de efetuarem os bombardeios, isso não é um tempo suficiente", disse o coronel americano, John Dorrian, porta-voz da coalizão.

O Departamento de Estado disse na terça-feira estar "profundamente preocupado" de que os ataques tenham sido realizados sem a coordenação adequada com os Estados Unidos ou com a coalizão que luta contra o grupo EI.

O ministério russo das Relações Exteriores considerou os bombardeios turcos "inaceitáveis" e destacou que causam "grande preocupação em Moscou".