Rússia afirma que controla zonas residenciais de Severodonetsk, cidade crucial no leste da Ucrânia

A Rússia reivindicou nesta terça-feira (7) o controle de todas as zonas residenciais de Severodonetsk, cidade estratégica no leste do Donbass, onde as tropas ucranianas lutam contra unidades russas mais numerosas, segundo Kiev.

"As zonas residenciais de Severodonetsk foram libertadas por completo", declarou o ministro russo da Defesa, Serguei Shoigu, em um discurso exibido na televisão.

O exército russo ainda tenta controlar "a zona industrial e as localidades vizinhas", acrescentou.

Depois de fracassar na tomada de Kiev, as forças russas concentram a ofensiva no Donbass, uma bacia de mineração no leste do território e parcialmente controlada por separatistas pró-Moscou desde 2014.

"Nossos heróis mantêm suas posições em Severodonetsk. Os combates intensos nas ruas continuam", disse o presidente ucraniano Volodimir Zelensky na segunda-feira à noite.

Esta cidade industrial é "o coração do objetivo do inimigo", afirmou o Estado-Maior ucraniano no primeiro boletim de terça-feira.

- Morte de general russo -

O líder dos separatistas pró-Rússia em Donetsk, Denys Pushilin, confirmou a morte de mais um general russo na região.

Em uma mensagem publicada no Telegram, Pushilin enviou suas "sinceras condolências à família e amigos" do general Roman Kutuzov, "que mostrou com seu exemplo como servir a pátria".

As forças ucranianas afirmam que mataram vários militares russos de alto escalão desde o início da ofensiva de Moscou, em 24 de fevereiro. Mas o número exato não é conhecido, pois a Rússia raramente anuncia perdas militares.

O ministro russo da Defesa também anunciou o fim da retirada das minas no porto de Mariupol, cuja conquista custou a Moscou semanas de combates violentos. O porto "está operando com normalidade e recebeu os primeiros navios de carga", afirmou Shoigu.

- Missão em Zaporizhzhia? -

A Rússia também ocupa a central nuclear de Zaporizhzhia desde o início da invasão. Em um cenário de combates intensos, Kiev criticou a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) por querer visitar a usina.

A visita à central apenas será possível quando a Ucrânia recuperar o controle do local", afirmou no Telegram a Energoatom, empresa que opera as centrais atômicas ucranianas.

Rafael Grossi, diretor da AIEA, afirmou na segunda-feira no Twitter que a AIEA estava preparando uma missão de especialistas para visitar a central de Zaporizhzhia, a maior da Europa, porque a Ucrânia havia "solicitado".

"O diretor geral da AIEA Rafael Grossi mente de novo", denunciou a Energoatom.

"Consideramos esta declaração uma nova tentativa de acesso à central de Zaporizhzhia para legitimar a presença dos ocupantes e aprovar seus atos", acrescentou a operadora.

A Rússia ameaçou em 19 de maio cortar a ligação da Ucrânia com a usina nuclear de Zaporizhzhia, a menos que Kiev pagasse a Moscou pela energia elétrica produzida.

Em 2021, a central representava 20% da produção anual de energia elétrica da Ucrânia e quase metade de toda a energia nuclear produzida no país.

- Chantagem do trigo -

A invasão determinada pelo presidente russo Vladimir Putin, ao lado das dificuldades persistentes nas cadeias abastecimento provocadas pela covid-19, provocam o temor de uma escassez global de alimentos.

Os dois países em guerra produziam antes do conflito 30% das exportações mundiais de trigo. Mas o bloqueio russo dos portos do Mar Negro provoca a paralisação de até 25 milhões de toneladas de cereais, advertiu Zelensky.

Além do bloqueio, autoridades ucranianas denunciaram que a Rússia está roubando suas reservas de cereais para vendê-las em seu próprio benefício, acusações que a diplomacia dos Estados Unidos considerou "confiáveis".

O secretário de Estado americano, Antony Blinken, acusou Putin de tentar uma "chantagem" contra as potências ocidentais para que concluam as sanções contra Moscou.

"Um bloqueio naval russo no Mar Negro impede que a colheita ucraniana siga para seus destinos normais", disse Blinken. "Tudo isto é deliberado".

Kiev anunciou que discute a criação de corredores marítimos com Turquia e Reino Unido e a exportação de quantidades menores por via terrestre com a Polônia ou os Estados bálticos.

Desde o início do conflito, milhares de civis morreram e milhões foram obrigados a abandonar suas casas.

No Conselho de Segurança da ONU, Estados Unidos e os países europeus exigiram que a Rússia interrompa a suposta violência sexual executada por integrantes de suas Forças Armadas, após segundo acusações da Ucrânia que Moscou chamou de "mentiras".

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