Começa em Belarus julgamento à revelia da opositora Tikhanovskaya

O julgamento à revelia da opositora bielorrussa Svetlana Tikhanovskaya começou nesta terça-feira (17) em Minsk – informou a agência de notícias oficial Belta.

Julgada com outros quatro opositores, também exilados, Tikhanovskaya, de 40 anos, é acusada de uma dezena de crimes, incluindo alta traição e "conspiração para tomar o poder de forma inconstitucional".

Na segunda-feira (16), em Davos, na Suíça, a opositora afirmou que o julgamento é uma "farsa" e uma "vingança" do presidente Alexander Lukashenko.

No verão de 2020, Belarus foi abalada por um movimento histórico de protesto para denunciar a polêmica reeleição do líder autoritário, no poder há quase três décadas.

Tikhanovskaya, que concorreu à presidência no lugar de seu marido preso, Serguei Tikhanovsky, reuniu multidões em todo o país durante sua campanha, aumentando as esperanças de mudança.

Forçada ao exílio, aquela que antes se apresentava como uma simples mãe de família é, agora, o rosto das forças democráticas em Belarus e a maior opositora de um regime, cujas brutais extorsões denuncia incansavelmente.

Junto com ela, também são julgados quatro opositores exilados: María Moroz, Pavel Latushko, Olga Kovalkova e Serguei Dylevski.

Seu julgamento acontece em um contexto de agravamento da repressão implacável orquestrada pelo regime de Lukashenko nas últimas semanas, com uma sucessão de processos judiciais contra opositores.

Esses julgamentos são, geralmente, realizados a portas fechadas, em total opacidade.

Tikhanovskaya explicou à AFP que contatou seu advogado, mas ele nunca respondeu.

"Não sei quanto tempo vai durar este julgamento, mas tenho certeza de que vão me condenar a muitos anos de prisão", afirmou.

Embora a opositora pareça estar a salvo das prisões de Minsk, graças ao seu exílio, as autoridades encontraram outra forma de puni-la, anunciando novas ações legais contra seu marido, na segunda-feira. Ele se encontra preso em Belarus.

Depois do movimento de protesto de 2020, o governo bielorrusso lançou uma repressão implacável contra qualquer voz crítica, com prisões em massa, exílios forçados e prisões tanto de opositores como de responsáveis de veículos de comunicação e de ONGs.

Segundo o Centro Viasna, o país conta, hoje, com mais de 1.400 presos políticos e, mais de dois anos depois dos acontecimentos, a repressão permanece sem trégua.

bur/lch/mab/zm/aa/tt