Começa em Nova York julgamento de usbeque acusado de terrorismo

O julgamento de um usbeque, acusado de matar oito pessoas em Manhattan, atropelando-as com uma caminhonete em 2017, em um ato considerado terrorista, foi iniciado nesta segunda-feira (9) em um tribunal de Nova York.

Sayfullo Saipov teria dirigido o veículo por cerca de 1,5 km por uma ciclovia de Manhattan, enquanto pais e filhos se preparavam para comemorar o Dia das Bruxas, em 31 de outubro de 2017.

Foi o ataque mais letal em Nova York desde os atentados de 11 de Setembro de 2001, quando membros da rede Al-Qaeda destruíram as Torres Gêmeas com aviões comerciais.

Cinco dos mortos eram amigos argentinos, que estavam comemorando os 30 anos de sua formatura. Ao menos outras 12 pessoas ficaram feridas. O ataque terminou quando a polícia atirou em Saipov no abdômen.

Este é o primeiro julgamento federal da Presidência de Joe Biden no qual a promotoria pede a pena de morte, depois da suspensão das execuções federais, quando o democrata chegou à Casa Branca, em 2021, segundo a imprensa americana.

E isso apesar da oposição de Biden à pena capital e da moratória decretada às execuções federais, anunciada pelo procurador-geral (o equivalente ao ministro da Justiça), Merrick Garland, em julho de 2021.

Garland também autorizou o Departamento da Justiça (DoJ) a apelar à Suprema Corte para reinstaurar a pena de morte no caso do autor do atentado na maratona de Boston, Dzhokhar Tsarnaev.

Alguns observadores interpretaram que os exemplos de Tsarnaev e Saipov sugerem que o DoJ está disposto a punir atos terroristas com a pena capital.

Mas também poderia se tratar de uma medida de pressão para que os suspeitos destes atos se declarem culpados em troca de uma pena de prisão perpétua.

Nos Estados Unidos, a maioria das execuções é levada adiante pelos estados e não pelo governo federal.

Os casos de penas de morte são extremamente incomuns em Nova York, que aboliu a pena capital no estado.

Depois de 17 anos sem execuções federais, sob o governo do ex-presidente Donald Trump foram executados 13 presos, um número recorde.

Segundo a acusação, Saipov, cujo julgamento está previsto para durar três meses, planejou o atentado durante um ano e escolheu deliberadamente o Dia das Bruxas para matar o maior número possível de pessoas.

Saipov afirma ter agido em nome do grupo Estado Islâmico, que o descreveu como um de seus "soldados".

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