Começa em Santa Cruz greve contra o novo presidente da Bolívia

·2 minuto de leitura

Líderes da próspera região boliviana de Santa Cruz, reduto da direita, iniciaram nesta quinta-feira (4) uma greve de dois dias contra o presidente eleito, Luis Arce, de esquerda, que assumirá o poder no domingo.

"As províncias de Santa Cruz cumprem com disciplina a greve cívica em defesa da democracia e exigem uma auditoria das eleições gerais de 18 de outubro", vencidas por Arce, disse Fernando Larach, líder civil da região.

As autoridades eleitorais e os observadores internacionais consideraram que as eleições foram justas. Arce, ex-ministro da Economia, venceu com mais de 54% dos votos, contra 14% do candidato de direita Luis Fernando Camacho, que é de Santa Cruz.

Em povoados próximos à cidade de Santa Cruz, capital do departamento de mesmo nome, havia rotas bloqueadas com paus, pneus, fios e entulho, segundo imagens veiculadas pela emissora de televisão Unitel.

Em outras localidades rurais da região, porém, a greve não foi aderida para não afetar a produção agropecuária.

"Rejeitamos categoricamente essa greve cívica, esses bloqueios, porque o município é altamente produtivo", disse o prefeito da cidade rural de San Pedro, José Rojas.

A greve se estenderá na sexta-feira à cidade de Santa Cruz, a mais populosa do país, que desde a semana passada é palco de ocasionais protestos contra Arce, convocados por seu Comitê Cívico, um conglomerado de grupos civis e empresariais de direita.

O governo de Santa Cruz "vai acatar as medidas da greve", disse seu secretário-geral, Roly Aguilera.

O comitê pede uma auditoria das eleições, vencidas no primeiro turno por Arce, apadrinhado pelo ex-presidente Evo Morales, 11 meses após a renúncia do líder indígena que acabou refugiado na Argentina.

Também rejeitam a polêmica decisão do Congresso cessante, controlado pelo Movimento ao Socialismo, partido de Morales, de baixar o quorum necessário para aprovar determinados projetos, confirmar a promoção de generais e nomear embaixadores.

As organizações de Santa Cruz ameaçaram estender os protestos a La Paz, mas a Central Obrera Boliviana (COB), aliada de Morales e Arce, anunciou que vai manter a paz no domingo, dia da troca de governo.

"Nos declaramos em estado de emergência para resguardar a paz, o Palácio (do Governo), a Praça Murillo (das Armas), para que não haja confronto entre irmãos nos dias de transição de poder", declarou o líder da COB, Juan Carlos Huarachi.

jac/fj/llu/ic/mvv