Começa no Equador julgamento à revelia do ex-presidente Correa

(Arquivo) O ex-presidente do Equador Rafael Correa

O julgamento do ex-presidente Rafael Correa sob a acusação de ter recebido dinheiro ilegal da construtora Odebrecht para financiar sua campanha eleitoral em 2013 começou nesta segunda-feira (10), no Tribunal Nacional de Justiça.

Correa será julgado à revelia por corrupção passiva, um crime imprescritível no Equador, já que vive na Bélgica desde que deixou o cargo.

Segundo a acusação, Correa recebeu cerca de oito milhões de dólares de empresas, entre elas a Odebrecht, para financiar a campanha das presidenciais de 2013, em troca de concessões de obras.

A decisão de julgar Correa foi adotada no início de janeiro pela juíza Daniella Camacho, da Corte Nacional de Justiça (CNJ), e envolve outras vinte pessoas, incluindo ex-funcionários do governo e empresários.

Camacho também decidiu pelo julgamento do ex-vice-presidente Jorge Glas, que já cumpre pena de seis anos por receber subornos de 13,5 milhões de dólares da Odebrecht.

Glas foi reeleito em 2017 com o atual presidente, Lenín Moreno, mas perdeu o cargo em janeiro de 2018 exatamente por estar preso.

Uma condenação acabaria com a carreira política de Correa, já que a Constituição equatoriana impede a candidatura de qualquer sentenciado por corrupção, enriquecimento ilícito ou peculado.

O ex-presidente socialista, que vive com a família na Bélgica, terra de sua mulher, acusou a juíza Camacho de agir exclusivamente "para impedir que apareça na cédula (eleitoral) em 2021".

O julgamento pode levar várias semanas, já que 120 testemunhas devem comparecer perante o tribunal presidido pelo juiz Iván León.

Em um vídeo postado dias atrás no Twitter, o ex-presidente descreveu a acusação como uma "grande farsa".

María de los Ángeles Duarte, ex-ministra dos Transportes, disse à imprensa no início da audiência que ela é "injustamente acusada".

Este é o segundo julgamento que Correa enfrenta. O outro corresponde ao suposto sequestro de um opositor em 2012. No entanto, esse processo está suspenso porque a justiça exige a presença do ex-presidente para julgá-lo.

Correa é considerado foragido da Justiça equatoriana e enfrenta ordens de prisão nos dois casos.