Começa hoje campanha para a compra de cestas básicas para mulheres lésbicas e bissexuais de favelas do Rio

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RIO — Uma campanha de arrecadação de doações para a compra de cestas básicas para mulheres lésbicas e bissexuais que moram em favelas do Rio começa nesta quinta-feira, com o objetivo de conseguir R$ 42 mil. Organizada por seis coletivos, a “vaquinha” pretende ajudar moradoras da Maré, Alemão, Cidade de Deus, Morro do Pinto, Providência e Cantagalo com a distribuição de 600 cestas básicas.

Segundo Dayana Gusmão, uma das lideranças da Resistência Lésbica, o movimento é necessário porque o machismo e a lesbofobia impactam até mesmo nas ações de combate à fome:

— Somos excluídas das doações de cestas básicas das instituições religiosas que atuam nas favelas. A realidade é que pessoas LGBTQIAP+ têm enfrentado situações de miserabilidade durante a pandemia. Os editais de fundos que foram lançados para acudir às minorias focam suas doações apenas em grupos mistos, fazendo com que o machismo e a lesbofobia estruturais se coloquem e imputem às lésbicas um total não lugar e não acesso a esses recursos. E como se sabe, as favelas têm em sua composição uma população sumariamente negra e feminina.

Michele Seixas, coordenadora Política da Articulação Brasileira de Lésbicas (ABL) e moradora do Complexo do Alemão, lembra que as ações de combate à fome estão cada vez mais escassas, e diz que a iniciativa dos coletivos é fundamental neste momento de pandemia:

— Essa união entre os coletivos de mulheres lésbicas e bissexuais de favelas é mais uma tentativa de a sociedade civil sanar os efeitos dessa desigualdade amplificada pela crise sanitária.

O lançamento da campanha, que conta com o apoio do Observatório de Favelas, entre outras entidades, acontece nesta quinta-feira a partir das 19h, no canal do YouTube da Casa da Utopia (https://youtube.com/c/CanaldaUtopia). O evento online e gratuito conta com bate-papo e performance artística. O link para a campanha de arrecadação é https://bityli.com/ApoieSapasContraACovid19.

Cenário de pobreza e vulnerabilidade

O impacto social da COVID-19 agravou o cenário de pobreza e de vulnerabilidade no país. Nas favelas e periferias, a situação de pobreza extrema vem a comprovar que a fome tem classe, cor e gênero.

Segundo dados da Rede Brasileira de Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Rede Pensann), a fome atinge 11,1% dos lares chefiados por mulheres contra 7,7% de lares liderados por homens.

Cor e raça também impactam: 10,7% dos lares que sofrem com a insegurança alimentar são chefiados por mulheres negras. Entre as mulheres brancas o índice é de 7,5%.

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