Começa julgamento da ex-estrela do Vale do Silício Elizabeth Holmes

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Os argumentos iniciais do julgamento de Elizabeth Holmes foram apresentados nesta quarta-feira (AFP/Nick Otto)

Um júri do estado americano da Califórnia irá decidir se Elizabeth Holmes, ex-estrela do Vale do Silício, é culpada de fraude, de acordo com os argumentos iniciais de seu julgamento, que teve início nesta quarta-feira (8).

Quando criou a empresa de diagnósticos Theranos em 2003, a carismática Elizabeth, na época com 19 anos, prometia resultados mais rápidos e baratos do que os laboratórios tradicionais e realizados com apenas gotas de sangue.

Mas os promotores federais apontam que os testes não funcionavam como prometido e agora Elizabeth enfrenta acusações de fraude que, se condenada, podem custar-lhe anos de prisão.

"Este é um caso de mentira e trapaça para obter dinheiro", acusou o procurador-geral Robert Leach, durante a abertura dos argumentos em um tribunal em San Jose, no coração do Vale do Silício.

Mas a defesa argumentou que Elizabeth estava totalmente dedicada à Theranos e que ela não era a "vilã" que os promotores descreveram, mas que cometeu erros. "A Theranos falhou em parte porque cometeu erros, mas erros não são crimes", afirmou o advogado Lance Wade em um tribunal repleto de jornalistas, familiares de Elizabeth e grandes equipes jurídicas.

A defesa também alega que Elizabeth sofreu abuso psicológico e era dominada por seu sócio e ex-parceiro amoroso, Ramesh "Sunny" Balwani, que é julgado separadamente.

Elizabeth foi uma celebridade do mundo da tecnologia. Seu empreendimento bilionário prometia revolucionar os exames de laboratório, antes de ser soterrado por acusações de fraude. Ela e Balwani, diretor operacional da Theranos, foram acusados de conspirar para enganar investidores e clientes da empresa.

O caso chama a atenção da imprensa americana devido à história de sucesso meteórico de Elizabeth.

Durante a seleção do júri na semana passada, o advogado da réu, Kevin Downey, perguntou a vários candidatos em potencial se eles haviam sofrido "abuso de alguém próximo", sinalizando que a defesa apostaria nesse argumento.

Mas o promotor Jeffrey Schenk deve trazer profissionais de saúde para desmascarar essa tese.

- "Finja até conseguir" -

Nomes de peso, como o ex-secretário de Estado americano Henry Kissinger e o ex-secretário de Defesa James Mattis, assim como o magnata da mídia Rupert Murdoch, investiram no que parecia ser uma aposta certa.

Elizabeth foi considerada uma visionária e chegou a ser comparada ao fundador da Apple, Steve Jobs. Mas depois de alguns anos e alguns bilhões, a promessa fez água e as máquinas milagrosas não funcionaram.

Segundo os promotores, Elizabeth sabia disso e mentia para os investidores, os médicos e os pacientes para continuar arrecadando dinheiro. Ela chegou a acumular uma fortuna estimada em 3,6 bilhões de dólares, segundo a revista "Forbes" de 2014. Naquela época, era a bilionária mais jovem sem ter herdado sua fortuna.

Em 2018, a Securities and Exchange Commission apresentou o caso Theranos como uma lição para o Vale do Silício, destacando-o como um alerta para a cultura do "finja até conseguir". O julgamento foi adiado diversas vezes, porque a ré teve um filho no mês passado.

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