Começa julgamento por atentado de Las Ramblas em Barcelona em 2017

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Policiais mobilizados após ataque em Las Ramblas, Barcelona, em 17 de agosto de 2017
Policiais mobilizados após ataque em Las Ramblas, Barcelona, em 17 de agosto de 2017

A Audiência Nacional espanhola iniciou, nesta terça-feira (10) o julgamento contra três homens suspeitos de apoiarem a célula extremista que cometeu em 2017 um duplo atentado com 16 mortes em Barcelona e em outra cidade catalã. 

Realizado na sede judicial deste tribunal superior em San Fernando de Henares, nos arredores de Madri, o julgamento começou por volta das 10h15 (6h15 em Brasília) em meio a um forte dispositivo policial para garantir a segurança do processo que deve se estender até 16 de dezembro.

No banco dos réus, em uma cabine protegida por um vidro grosso, separados por um metro e meio de distância e de máscara, estavam dois supostos membros da célula jihadista e um suposto colaborador. 

Os três valeram-se do direito de não responder à acusação e limitaram-se a responder às perguntas de seus advogados.

Os atentados de 17 e 18 de agosto, reivindicados pelo grupo Estado Islâmico (EI), aconteceram na popular avenida Las Ramblas, no coração de Barcelona, onde uma van atropelou dezenas de pessoas a toda velocidade, assim como na orla de Cambrils, 100 km a sudoeste.

Os autores materiais foram mortos a tiros pela polícia, incluindo Yunes Abuyaaqub, um marroquino de 22 anos que dirigia a van no famoso calçadão de Barcelona e que causou a morte de 14 pessoas, a maioria turistas. Em sua fuga, o agressor fez outra vítima fatal para roubar seu veículo. Mais de 100 pessoas ficaram feridas.

Horas depois do massacre em Las Ramblas, cinco membros da célula cometeram um segundo ataque em Cambrils, onde atropelaram vários pedestres na orla e esfaquearam uma mulher, que também faleceu.

Os cinco foram abatidos, assim como Yunes Abuyaaqub, localizado dias depois em uma zona vinícola a 30 km de Barcelona.

- Uma célula com planos megalomaníacos -

O processo começou com a declaração do principal réu, Mohamed Huli Chemlal, um jovem de 23 anos acusado de pertencer a uma organização terrorista, assim como de fabricação e posse de explosivos e de conspiração para causar estragos. Por estes crimes, a Promotoria pede uma pena de 41 anos de prisão.

Em sua intervenção, Chemlal disse estar arrependido e destacou sua "vontade de colaborar" durante a investigação.

Nos interrogatórios policiais, o jovem revelou aos investigadores o plano inicial da célula: cometer atentados a bomba contra alvos icônicos, como a Basílica da Sagrada Família, de Barcelona. 

Na documentação apreendida, os investigadores também encontraram informações sobre o estádio do FC Barcelona e a Torre Eiffel de Paris.

"Só viviam entre eles e para eles, não se relacionavam com mais ninguém", dentro de "uma estrutura piramidal" onde o ímã "exercia a função de líder espiritual", disse como testemunha um investigador da polícia regional catalã sob anonimato.

Durante o testemunho de Chemlal, foram divulgados vídeos dos jovens experimentando coletes explosivos e brincando sobre o "quanto de dano" causariam.

O segundo acusado é Driss Oukabir, um marroquino de 31 anos e irmão de um dos agressores de Cambrils, processado com as mesmas acusações e com um pedido de 36 anos de prisão por alugar a van usada em Las Ramblas.

Oukabir garantiu que "não tinha relação com eles" e que seu irmão lhe pediu para alugar o veículo para uma mudança. 

"Eu não era uma pessoa religiosa, nem praticante", disse o acusado, que admitiu consumir álcool e drogas.

O terceiro processado, Said Ben Iazza, para quem a Promotoria pede oito anos de prisão por emprestar seu veículo e documentação à célula, alegou desconhecer seus planos.

avl-mg/dbh/es/tt