Começa segundo julgamento político contra Trump no Senado dos EUA

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O Senado dos Estados Unidos iniciou, nesta terça-feira (9), o histórico processo contra o ex-presidente Donald Trump - o segundo julgamento político contra ele - baseado nas acusações de "incitação à insurreição" por seu papel no violento ataque ao Capitólio.

Trump é o primeiro presidente a ser submetido a dois julgamentos políticos, após ter sido absolvido em 2020 das acusações de abuso de poder, e também é o primeiro presidente a ser processado depois de ter deixado o poder.

O processo teve início às 13h locais (15h de Brasília), após um pedido solene de silêncio no plenário.

"É nosso solene dever constitucional realizar um julgamento político que seja justo e honesto com as acusações contra o ex-presidente Trump, que são as acusações mais graves já atribuídas a um presidente dos Estados Unidos em toda a história", disse o líder da maioria democrata Chuck Schumer.

Após o ataque ao Capitólio em 6 de janeiro, nesta terça-feira foram mobilizados milhares de efetivos da Guarda Nacional na área, que está fechada ao público com uma barreira desde os incidentes.

O senador democrata Patrick Leahy presidirá o processo, que começou com um debate seguido de uma votação sobre a constitucionalidade de se julgar um presidente que já deixou o poder.

Este passo é uma mera formalidade, já que os democratas têm votos suficientes, mas o resultado será um indício de quantos republicanos estão abertos a considerar estas acusações.

"Não vão escutar longos sermões da minha parte porque nosso caso se baseia em fatos concretos e sólidos", afirmou no Senado no início dos debates Jamie Raskin, o principal legislador democrata que atua como promotor no julgamento.

O representante por Maryland rebateu os argumentos dos advogados de Trump de que o ex-presidente não deveria ser submetido a julgamento político porque não está mais no cargo.

"Seu argumento é que se cometemos delitos passíveis de destituição nas últimas semanas de governo, gozamos de impunidade constitucional", disse Raskin.

Para o legislador, não existe uma "exceção do mês de janeiro" na Constituição, em alusão à tradicional transferência de poder nos Estados Unidos no primeiro mês do ano.

Em seguida, Raskin projetou um vídeo com alguns incidentes de 6 de janeiro, quando uma multidão de apoiadores de Trump invadiu o Capitólio, após ouvir um discurso no qual o então presidente os incitou a rejeitar a vitória do democrata Joe Biden nas eleições presidenciais de novembro.

O grosso do processo começará na quarta-feira, a partir de quando cada parte terá 16 horas para apresentar suas argumentações orais.

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