Comentários sexistas levam presidente do comitê organizador dos Jogos Olímpicos de Tóquio a renunciar

O Globo
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TÓQUIO - O presidente do comitê organizador dos Jogos Olímpicos de Tóquio, Yoshiro Mori, renunciou nesta sexta-feira (12). O dirigente de 83 anos voltou a pedir desculpas pelos comentários sexistas, considerados ofensivos por mulheres dentro e fora do Japão, e que levaram a milhares de comentários em tom de revolta de usuários das redes sociais em todo o mundo na última semana.

A renúncia de Mori, que ficou conhecido pelas gafes durante o período como primeiro-ministro do Japão, a cerca de cinco meses antes do início previsto da Olimpíada, deve abalar ainda mais a confiançados japoneses na organização do evento em meio a pandemia de Covid-19.

A imprensa local diz que Seiko Hashimoto deve sucedê-lo. Ela, que tem 56 anos, já foi a sete Jogos Olímpicos e é uma advogada pioneira. Seu primeiro nome é baseado nas palavras japonesas para a chama olímpica e Hashimoto nasceu dias antes da abertura da Olimpíada de Tóquio, em 1964.

Yoshiro Mori, agora ex-presidente do comitê organizador dos Jogos de Tóquio, causou revolta ao dizer, em uma reunião com integrantes comitê olímpico japonês, que as reuniões se tornam mais longas com presença das mulheres porque elas falam demais e competem entre si. Mori também disse que o comitê organizador de Tóquio tem mulheres em seus quadros, mas elas sabem qual é o seu lugar.

Os comentários sexistas e machistas de Mori, publicados pela imprensa japonesa que estava presente na reunião, levaram pessoas dentro e fora do Japão a exigirem a renúncia do dirigente. Ele chegou a pedir desculpas, mas garantiu que não deixaria o posto. Mas a repercussão do caso foi tão grande, chegou a mobilizar políticos no alto escalão do governo japonês, levando à renúncia, uma semana depois.

"Meus comentários inapropriados causaram um grande problema. Sinto muito", disse Mori, no começo de uma reunião do comitê organizador nesta sexta (12), completando que o mais importante é que os Jogos Olímpicos de Tóquio sejam um sucesso.

Mori disse também que, embora tenha dito algo desnecessário, não o fez intencionalmente e que seus comentários foram mal interpretados pela mídia. O dirigente afirmou que não tem preconceitos contra as mulheres:

"Eu tenho tentado apoiar as mulheres tanto quando possível, e tenho tentado apoiar mais as mulheres do que os homens", disse ele. "Houve um tempo em que as pessoas não levantam as mãos e não falavam, e eu saía do meu caminho para dizer: por favor, fale, e eu acho que as mulheres têm podido falar muito."

Mori on Thursday had asked the mayor of the Olympic Village, 84-year-old Saburo Kawabuchi, to take over the top position, but by Friday public criticism of his hand-picked successor as another older male reportedly saw Kawabuchi turn down the job.

Broadcaster Fuji News Network reported the government would seek to block the nomination of Kawabuchi, quoting a government source as saying: "We can't give the impression that things have changed unless we install a woman or see a generational shift."

Mori noted at the start of the Friday meeting that some people have talked about "problems caused by the elderly".

"But the elderly have worked hard for the world and for Japan. It's extremely unpleasant to hear bad things said about the elderly. But there's no use complaining about that," he said.

The Mori controversy has done "serious reputational damage" to the Tokyo Olympics, said one source involved in the Olympics, requesting anonymity due to the sensitivity of the matter and adding that many officials want a woman to replace Mori.

Tokyo Governor Yuriko Koike, herself a pioneer as Tokyo's first female leader, avoided giving a direct answer when asked during a news conference who Mori's successor should be, but said the person should embody Olympic ideals of inclusivity and be somebody the world can accept.

"Diversity and harmony - that's something that the person at the top needs to understand, embody and broadcast," she said. "I think this is an essential thing." (Reporting by Ju-min Park, Chang-ran Kim, Mari Saito and Elaine Lies; Editing by Michael Perry and Raju Gopalakrishnan)