Comentários sobre Holocausto atingem candidatura presidencial de Marine Le Pen

Por Maya Nikolaeva e John Irish
Marine Le Pen chega a sede de campanha em Paris 28/4/2017 REUTERS/Charles Platiau

Por Maya Nikolaeva e John Irish

PARIS/CHATELLERAULT, França (Reuters) - A tentativa de Marine Le Pen de desafiar as probabilidades e vencer a corrida presidencial francesa sofreu um retrocesso nesta quarta-feira, quando seu substituto designado como líder do partido Frente Nacional deixou o cargo para se defender de acusações de compartilhar pontos de vista de negação do Holocausto.

Após um intenso dia de campanha antes do segundo turno, em 7 de maio, no qual Le Pen, da extrema-direita, e seu adversário centrista Emmanuel Macron foram levados de volta aos eventos da Segunda Guerra Mundial, pesquisas de opinião continuavam indicando o independente Macron bem à frente.

Mas em possível golpe ao candidato favorito, o líder da extrema-esquerda, Jean-Luc Mélenchon, derrotado no primeiro turno, não endossou Macron, apesar de dizer para seus eleitores não votarem em Le Pen.

Outro perdedor do primeiro turno, Nicolas Dupont-Aignan, endossou Le Pen, como esperado.

A abrupta saída de Jean-François Jalkh da liderança do partido Frente Nacional (FN) antes mesmo de assumir o cargo, levantou fantasmas do passado do partido e reviveu um furor gerado pelo pai de Le Pen, quando ele chamou as câmaras de gás nazistas de um “detalhe” da história.

A controvérsia renovada ameaça ações de Le Pen, que expulsou seu pai, Jean-Marie Le Pen, do partido há dois anos, para limpar a imagem da FN de associações xenofóbicas e antissemitas e torná-la mais palatável para um eleitorado amplo.

“Há um momento quando mulheres e homens da França devem abrir seus olhos sobre de onde vem a Frente Nacional”, disse o diretor da campanha de Macron, Richard Ferrand.

A disputa presidencial destruiu tradicionais lealdades partidárias, dando aos eleitores uma escolha entre uma renovada extrema-direita, no passado excluída na política francesa, e um homem cujo movimento político tem menos de um ano e nunca teve um cargo público.

A disputa coloca o entusiasmo de Macron pela União Europeia e pedido por reformas pró-empresas contra o desejo de Le Pen de que a França feche suas fronteiras para imigrantes, se livre de instituições da EU e restrinja importações para proteger empregos.

A maior parte das pesquisas de opinião indica uma vitória de Macron no segundo turno, com 60 por cento ou mais dos votos, em uma margem um pouco menor do que há uma semana.

Jalkh, aliado há anos de Jean-Marie Le Pen que fundou o partido Frente Nacional, foi um dos 35 membros da FN eleitos ao Parlamento na década de 1980. Ele iria assumir como chefe interino do partido, cargo deixado por Marine Le Pen para focar na corrida presidencial.

Autoridades da FN disseram que Jalkh nega acusações ligando-o a negações do Holocausto e Marine Le Pen disse posteriormente à BFM TV que “não há ninguém na liderança da Frente Nacional que defenda este tipo de tese”.

Em questão estão comentários atribuídos a Jalkh em uma conversa com um pesquisador em 2005 sobre o trabalho de um professor condenado mais de uma vez por questionar a escala de exterminação de judeus nas câmaras de gás nazistas durante a Segunda Guerra Mundial. Também foi descoberto um relato de 1991 que dizia que Jalkh participou de uma manifestação feita por apoiadores do marechal Philippe Petain, líder francês na guerra e colaborador nazista, em julho de 1991.

O pai de Marine Le Pen foi condenado por incitar ódio racial em seus comentários sobre o holocausto.

(Reportagem adicional de Cyril Camu)