'Comentários de Bolsonaro surpreenderam, mas ele vai cumprir?', diz representante dos EUA sobre Cúpula do Clima

Redação Notícias
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No evento, Bolsonaro prometeu reduzir emissões de carbono, acabar com o desmatamento ilegal até 2030 e buscar neutralidade na emissão de carbono até 2050. Porém, ele não disse como isso será feito (Foto: Via Getty Images)
No evento, Bolsonaro prometeu reduzir emissões de carbono, acabar com o desmatamento ilegal até 2030 e buscar neutralidade na emissão de carbono até 2050. Porém, ele não disse como isso será feito (Foto: Via Getty Images)
  • O representante dos EUA na Cúpula dos Líderes do Clima, John Kerry, disse que os comentários do presidente Jair Bolsonaro "surpreenderam", mas questionou se o Brasil irá cumprir as promessas

  • No evento, Bolsonaro prometeu reduzir emissões de carbono, acabar com o desmatamento ilegal até 2030, porém, ele não disse como isso será feito

  • A Cúpula dos Líderes do Clima foi organizada pelo governo dos EUA para discutir questões climáticas junto a 40 nações

O representante dos Estados Unidos na Cúpula dos Líderes do Clima, John Kerry, disse nesta quinta-feira (22) que os comentários do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) "surpreenderam". No entanto, ele questionou se o Brasil realmente irá cumprir as promessas.

"Alguns dos comentários que o presidente Bolsonaro fez hoje me surpreenderam e isso é muito bom, vai funcionar se essas coisas forem feitas. A questão é: eles vão cumprir? A questão é: como será feito e de que forma?", disse Kerry durante entrevista coletiva na Casa Branca.

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No evento, Bolsonaro prometeu reduzir emissões de carbono, acabar com o desmatamento ilegal até 2030 e buscar neutralidade na emissão de carbono até 2050. Porém, ele não disse como isso será feito.

O presidente brasileiro não mencinou também que uma das promessas — a de dobrar o orçamento para fiscalização ambiental este ano — consiste em defazer uma própria canetada. Se comparado com os valores do ano passado, o mesmo orçamento foi cortado pela metade por ele mesmo

A Cúpula dos Líderes do Clima foi organizada pelo governo dos EUA para discutir questões climáticas junto a 40 nações e começou nesta quinta com discursos dos presidentes e chefes de estado de 40 países.

Pouco antes da abertura, Biden afirmou que os EUA — responsáveis por 15% das emissões globais —, têm um plano para cortar em 50% as emissões de gases de efeito estufa até o ano de 2030.

O que se discute na Cúpula? Veja os 5 principais pontos em debate:

  • Volta dos EUA nas discussões internacionais sobre o clima

  • Novas metas na redução de emissões dos EUA até o fim da década

  • Oportunidade para o Brasil mudar a imagem de sua política ambiental

  • Preparação para a COP26, que acontece em novembro

  • Financiamento para projetos de países em desenvolvimento

A cúpula faz parte dos esforços da gestão Biden para cumprir promessas de campanha e recuperar a imagem do país após o governo de Donald Trump, que foi desastroso para o clima.

Eliminar o desmatamento ilegal até 2030

Bolsonaro destacou o compromisso do Brasil em eliminar o desmatamento ilegal até 2030, durante discurso na Cúpula do Clima nesta quinta-feira (22).

"Entre as medidas necessárias para tanto, destaco o compromisso de eliminar o desmatamento ilegal até 2030, com a plena aplicação do nosso código florestal. Com isso, reduziremos em quase 50% nossas emissões até essa data. Há que se reconhecer que será uma tarefa complexa. Medidas de comando e controle são parte da resposta", disse.

Cobrado internacionalmente pelo desmonte dos órgãos de fiscalização ambientais, o presidente afirmou, em seu discurso, que determinou o "fortalecimento dos órgãos ambientais" e pediu "contribuição de países, empresas e entidades" para o desenvolvimento da Amazônia.

"Apesar das limitações orçamentárias do governo, determinei o fortalecimento dos órgãos ambientais, duplicando os recursos destinados às ações de fiscalização. Mas, é preciso fazer mais. Devemos enfrentar o desafio de melhorar a vida dos mais de 23 milhões de brasileiros que vivem na Amazônia, região mais rica do país em recursos naturais, mas que apresenta os piores índices de desenvolvimento humano. A solução desse paradoxo amazônico é condição essencial para o desenvolvimento sustentável da região", afirmou.

Abertura da Cúpula do Clima

O evento foi aberto pela vice-presidente dos Estados Unidos, Kamala Harris, e o presidente, Joe Biden, falou em seguida. Os dois ressaltaram a importância da união mundial no combate ao impacto climático. Biden ainda ressaltou a relevância criar empregos e desenvolver tecnologias na batalha contra o aquecimento global.

"Eu espero ansiosamente pelo progresso que podemos fazer juntos hoje e daqui em diante. Nós realmente não temos escolha, temos que fazer isso", disse Biden ao finalizar o discurso de abertura da Cúpula do Clima.

Antes de Bolsonaro, também falaram o primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, e o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, além de outros líderes mundiais, como Angela Merkel (Alemanha) e Emmanuel Macron (França).