Comerciantes aguardam bloco com apreensão na Água Branca

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SÃO PAULO, SP, 22.04.2022: CARNAVAL-SP - Bloco Feminista, na Barra Funda, na zona oeste de São Paulo. (Foto: Danilo Verpa/Folhapress)
SÃO PAULO, SP, 22.04.2022: CARNAVAL-SP - Bloco Feminista, na Barra Funda, na zona oeste de São Paulo. (Foto: Danilo Verpa/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Comerciantes da rua Carijós, na Água Branca, zona oeste de São Paulo, aguardavam com apreensão a presença de foliões do bloco Perdidos no Paraíso, previsto para as 18h. Tudo porque as experiências anteriores com outros grupos deixaram um rastro de urina, sujeira e vandalismo no espaço ao redor da figueira asiática, ao lado dos trilhos da CPTM.

No início da noite desta sexta (22), dezenas de ambulantes aguardavam a chegada do público, que ainda não havia dado as caras. Ao saber que os fãs do Perdidos no Paraíso deveriam de fato aparecer, Silvania Leonina dos Santos, 39, responsável por um bar nas proximidades brincou. "Perdida? Eu estou é achada aqui. Chegou para mim que iriam tocar dois DJs para a comemoração de um bloco. Passou o dia inteiro e só veio camelô até agora", afirmou.

Sobre festas passadas, Silvania conta que certa vez fechou o bar e deixou um saco de lixo em frente contando com a colaboração dos foliões. "Ficou vazio e a rua cheia de lixo. Fui embora, porque não conseguia trabalhar", disse.

Também responsável por um bar nas proximidades, Marcelo Mota, 36, contou que em outros eventos até mesas e cadeiras foram levadas por foliões. "Só tem problema. Organização que não existe, um monte de camelô que atrapalha nosso movimento, 2.000 a 3.000 pessoas e todo lixo, toda urina, todo vômito fica na rua durante semanas", afirmou. "Não tem responsável, não tem segurança, não tem banheiro, não tem lata de lixo", completou.

Mota fez uma ressalva. "Se fosse organizado, seria ótimo. Mas não tem nada", contou.

Um dos responsáveis pelo Perdidos no Paraíso, o promotor cultural Laerte Matias Fernandes, 35, afirmou que é a primeira vez que o bloco se reúne na rua Carijós, não tendo relação com os fatos negativos ocorridos em outras ocasiões.

"A nossa ideia é fazer um evento que não seja grande, até por não termos o apoio da prefeitura", disse. "A gente não teve divulgação nenhuma. Só hoje colocamos o local no nosso Instagram, que tem só 12 mil seguidores", explicou.

Segundo Fernandes, foi assumido um compromisso com os comerciantes de que a rua será entregue em condições adequadas. "Combinamos que vamos fazer a limpeza. Nós mesmos trouxemos sacos de lixo e faremos o recolhimento. Vamos anunciar no microfone para a galera tomar cuidado, consumir nos bares e jogar lixo no lixo", disse.

O promotor cultural explica que é um momento em que o povo quer retomar as ruas e tem havido pouca troca com o poder público.

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