Comerciantes comemoram dia de sol 'escaldante' em Bangu: termômetros marcaram 40 graus

Célia Costa
Termômetro marcou 40 graus em Bangu: água para refrescar e guarda-sol em busca de um alívio

RIO — O verão só começa no próximo dia 22. Quer dizer, oficialmente. Em Bangu, onde a estação chega sempre mais cedo, a temperatura foi de 37 graus, mas a sensação de calor era muito maior. Os termômetros da rua marcavam 40 graus. Para alegria de quem aumenta o faturamento, mas também para desespero de quem é obrigado a circular pelas ruas. Ou seja, para os que não gostam a temporada de reclamações vai até 20 de março de 2020.

Nesta segunda-feira, o Calçadão de Bangu, lotado para as compras de Natal, fervia. Literalmente. A vendedora de coco Edilaine Melone, de 20 anos, viu a procura disparar e o faturamento aumentar de uma semana para outra.

— Hoje (nesta segunda-feira), mesmo debaixo desse sol escaldante, não tenho do que reclamar. Com esse calor, estou vendendo muito. Moro em Senador Camará, onde faz tanto calor quando em Bangu. Já estou acostumada — disse Edilaine.

Quem também comemorava o aumento das vendas era Priscila Muniz, de 27 anos, que trabalha ao lado do termômetro de rua que nesta segunda registrava 40 graus.

— Quero mais é que o calor aumente, que Bangu ferva. Preciso vender muito para conseguir dinheiro para comprar os presentes de Natal. Eu, particularmente, não gosto desse calorão. Mesmo morando aqui desde pequena, não consegui me acostumar.

Para quem trabalha na rua a situação é mesmo difícil. O cabeleireiro Luiz Felipe da Silva Balbino, de 32 anos, montou seu salão na Avenida Santa Cruz, ao lado do Calçadão. Com bom humor, Felipe tenta driblar o desconforto:

— Estava fazendo um tempinho mais fresco, mas agora está a cada de Bangu. Já estava até com saudades dessa temperatura. Trabalho sem ar-condicionado, mas papai do céu me abençoou com a sombra de duas frondosas amendoeiras. Apesar do forte calor, aqui embaixo da árvore é mais ameno.

Ao lado de Felipe, o vendedor de água Lucas Alan Siqueira Nunes, de 18 anos, todo vestido de preto, nem se incomodava com os termômetros nas alturas. A mercadoria — as garrafas de água — não dá trabalho para vender:

— Está acabando tudo muito rápido. Quero mais é que continue assim.

Mas há quem não aguente o calor. É o caso da dona de casa Mônica de Morais Silva. Nesta segunda-feira, saiu de casa com todo o tipo de proteção e reclamando bastante.

— Mesmo morando aqui não gosto dessa temperatura. Para sair de casa é muito ruim. Na tentativa de amenizar, recorro ao protetor solar e ao guarda-sol. Mas incomoda muito.