Comerciantes comemoram o tombamento que impede a derrubada do Mercado Popular da Rocinha

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RIO — Novo patrimônio imaterial da cidade do Rio de Janeiro, o Mercado Popular da Rocinha vende de um tudo, de roupas a eletrônicos, e garante há 17 anos o sustento de centenas de famílias — a maioria, nordestinas. Os comerciantes já respiram aliviados com a expectativa de que o tombamento garanta estabilidade para seus negócios, após a sanção do prefeito Eduardo Paes do projeto de lei que tombou o mercado, no último sábado.

Localizado na Rua General Olímpio Moura Filho, em frente à saída do metrô na estação de São Conrado, o camelódromo conta com 205 boxes. Simone Santana, de 44 anos, está no local desde a inauguração, em 2004, e se sentiu mais segura com o tombamento. Com a venda de acessórios para produtos eletrônicos, como celulares e televisão, Simone garantiu os estudos da filha até que ela conseguisse se formar em direito na PUC-Rio, e ainda consegue pagar por um plano de saúde.

— Trabalhava na passarela antigamente, nos tiraram de lá. Depois quando fizeram a construção disso aqui, nós viemos para cá. Já surgiram vários rumores de que a gente ia sair, então ficamos com medo. Mas agora, com esse tombamento, a gente fica mais acertado no lugar — avalia.

Ano passado, o Mercado Popular da Rocinha, que funciona todos os dias, 24h por dia, esteve ameaçado de demolição. Sob a gestão de Marcelo Crivella, a prefeitura chegou a notificar os comerciantes para que retirassem seus pertences dos boxes em até 24h, pois 40 deles seriam demolidos para construir uma via que permitisse o acesso de ambulâncias ao estacionamento da Igreja Universal, onde a prefeitura havia instalado um tomógrafo.

Na época, os comerciantes protestaram, e o então prefeito Crivella desistiu da demolição, assinando um decreto que tombava provisoriamente o camelódromo. No momento da sanção da lei, de autoria do vereador vereador Marcelo Arar, Eduardo Paes sugeriu reestruturação do camelódromo com a possibilidade de alvará aos lojistas.

Prejuízos com o fechamento

Mas outras dificuldades afetam o cotidiano dos lojistas do local, como a segurança e também a pandemia, que fez com que muitos tivessem que fechar os boxes temporariamente.

— Ficamos um mês e meio sem trabalhar por causa da pandemia. Passamos um perrengue aqui. Várias contas minhas ficaram atrasadas, agora que estou colocando em dia. Quando tem tiroteio aqui, as pessoas ficam com receio de vir. Afeta um pouquinho o comércio, diminui o movimento. Qualquer probleminha, gera um desfalque no orçamento da gente — diz Simone.

Pedidos para melhorar luz e água no local

Há quase 40 anos, Glaucia Severino Gomes, de 59 anos, trabalha como camelô, desde que chegou ao Rio de Janeiro. Ela veio de Campina Grande, na Paraíba, tentar a sorte.

— Criei três filhos trabalhando aqui na comunidade da Rocinha. E essa barraquinha aqui hoje dá para sustentar quatro pessoas — conta.

Glaucia vende cosméticos, e o box que ela ocupa serve como um depósito para os seus produtos que são entregues em domicílios. Ela empresta o box para a jovem Joice Fernandes Carneiro, de 30 anos, que utiliza o espaço para vender bijuterias junto com outras duas irmãs, que se revezam em turnos.

Uma das comerciantes mais antigas do lugar é também Francisca Marli Martins, de 58 anos, que há 28 vende produtos alimentícios e bebidas no box Groaíras Café, que gerencia com a filha e emprega duas pessoas. O box leva o nome da sua cidade natal, no Ceará.

Com o tombamento, comerciantes agora reivindicam melhorias na infraestrutura, como melhorias no fornecimento de água e luz e na ventilação dos boxes.

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