Comerciantes da 25 de Março querem novo prédio no lugar do que pegou fogo

*Arquivo* SÃO PAULO, SP, 14.07.2022 - Prédio incendiado na região da rua 25 de Março, em São Paulo. (Foto: Zanone Fraissat/Folhapress)
*Arquivo* SÃO PAULO, SP, 14.07.2022 - Prédio incendiado na região da rua 25 de Março, em São Paulo. (Foto: Zanone Fraissat/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Os comerciantes que tinham lojas e estoques no prédio que pegou fogo na região da rua 25 de Março, popular centro de compras de São Paulo, querem construir um novo edifício no local, segundo o porta-voz dos condôminos, Cleinaldo Simões.

A demolição do prédio proposta pela prefeitura aos comerciantes foi aceita na última quinta (14) e tem previsão de começar na manhã desde sábado (16), segundo a gestão municipal. Após o fogo que tomou conta do edifício por mais de 60 horas, foram constatados danos na estrutura e risco de desabamento.

"A análise dos dados coletados nas vistorias apontou que a estrutura está estabilizada após o término do combate às chamas. O risco de desabamentos pontuais permanece", diz nota da Siurb (Secretaria Municipal de Infraestrutura Urbana e Obras).

O prefeito Ricardo Nunes (MDB) disse nesta sexta (15) que a demolição do prédio começará pelos andares superiores, do décimo ao sétimo. Após a finalização dos trabalhos nesses andares, uma nova avaliação será feita para definir se o resto do edifício deve ou não ser demolido.

O prédio tinha 79 salas comerciais divididas entre 50 proprietários. Nas salas funcionavam lojas, escritórios e depósitos. Por dia, cerca de 120 pessoas circulavam pelo edifício, que fica na rua Comendador Abdo Schahin.

Não há estimativa do prejuízo. Segundo Simões, a perda para os comerciantes será medida pela queda da renda das lojas, pelos danos no imóvel e pelos custos da demolição e de eventual construção de um novo edifício.

De acordo com o Corpo de Bombeiros, o prédio que pegou fogo tinha o pedido para obtenção do AVCB (Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros) em andamento, mas a licença não foi emitida por causa de irregularidades "não sanadas pelo responsável".

Questionada sobre quais eram as irregularidades, a corporação disse que esses dados são de acesso restrito às autoridades e aos proprietários. O porta-voz dos condôminos não soube informar quais foram os problemas encontrados na vistoria dos bombeiros.

Apesar de não ter o AVCB, o prédio tinha situação regular na prefeitura, segundo o relatório do Contru (Controle do Uso de Imóveis) feito após a vistoria que constatou o risco de colapso.

A licença da prefeitura é o AVS (Auto de Verificação de Segurança) e foi emitida em 2008. Para obter obtê-la, os donos de um imóvel precisam apresentar "o AVCB vigente ou atestado de funcionamento dos equipamentos de segurança com cópia do projeto aprovado pelo Corpo de Bombeiros".

O AVS não tem prazo de validade, mas pode ser revogado caso o imóvel sofra alterações na estrutura do ou no uso.

De acordo com o porta-voz dos proprietários, o pedido de AVCB foi encaminhado aos bombeiros porque lojistas passaram a usar as salas como depósitos. Simões não soube dizer, porém, quando o pedido de novo AVCB foi feito, mas afirma que "já faz alguns anos".

De acordo com a CET (Companhia de Engenharia de Tráfego), apenas a rua em que fica o prédio está interditada.

O incêndio no edifício da rua Comendador Abdo Schahin teve início por volta das 21h de domingo (10) e atingiu outros três imóveis vizinhos, entre os quais o da Paróquia Ortodoxa Antioquina da Anunciação a Nossa Senhora. A Polícia Civil suspeita que o fogo começou após uma explosão na altura do terceiro andar.

Ao todo, segundo a prefeitura, nove edifícios chegaram a ser interditados parcial ou totalmente. Como não são residenciais, não há pessoas desabrigadas.

Houve desabamento da estrutura da loja Matsumoto, que fica na rua Barão de Duprat, e do teto da igreja, na rua Cavalheiro Basílio Jafet.

Durante o controle das chamas, lojas da região foram orientadas a fechar.

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