Cometa Borisov, que veio de fora do Sistema Solar, aproxima-se da Terra

Rafael Garcia
O cometa Borisov, o primeiro de origem interestelar a ser avistado cruzando o Sistema Solar, fotografado pelo Telescópio Espacial Hubble

SÃO PAULO - O cometa Borisov, que veio de fora do Sistema Solar, tem neste domingo (8) sua aproximação máxima da Terra, passando a "apenas" 300 milhões de quilômetros. Apesar de esta ser o dobro da distância entre a Terra e o Sol, astrônomos consideram o evento uma oportunidade única para estudar esse tipo de objeto, o primeiro do tipo a ser avistado com característica de cometa.

Descoberto pelo astrônomo crimeu Gennady Borisov em agosto, o cometa que leva seu nome foi identificado como um objeto interestelar por ter uma trajetória em curva extremamente aberta, quase reta, diferente daquela de objetos distantes que orbitam o Sol.

Diversos observatórios já apontaram seus telescópios para o cometa buscando estudá-lo. A ideia é que estudando o espectro de luz seja possível entender qual é sua composição e como ele foi gerado.

Astrônomos acreditam que, durante sua viagem estelar, o Borisov existia apenas na forma de uma grande massa de gelo. Quando começou a se aproximar do Sol, porém, no início do ano, o vento solar e a radiação começaram a pulverizá-lo e fazê-lo emitir gases, formando uma aura e uma pequena cauda, similar a de um cometa.

Grandes observatórios, como o Keck, no Havaí, e o Telescópio Espacial Hubble, da Nasa, conseguiram obter imagens e dados sobre o Borisov, e devem alimentar estudos sobre o objeto.

Poeira cósmica

Segundo David Jewitt, astrônomo da Universidade da Califórnia em Los Angeles, que controlou o Hubble para fazer imagens do Borisov, ele é muito diferente de outro objeto interestelar, avistado em 2017, o Oumuamua, mais parecido com um asteroide.

"Oumuamua se parecia com uma rocha nua, mas o Borisov é realmente ativo, mais como um cometa normal", disse em comunicado à imprensa. "É um enigma entender por que eles são tão diferentes. Existe tanta poeira nele [Borisov] que vamos ter que trabalhar duro para analisar o núcleo."

O cometa está agora viajando a cerca de 180 mil km/h, e passará pelo Sistema Solar rápido demais para ser capturado pela gravidade do Sol. Sua trajetória é muito mais aberta que a de Oumuamua. Por volta do meio de 2020, Borisov passará perto de Júpiter, e depois voltará para o lugar de onde veio: o espaço interestelar.