Comissão da Alerj avalia condições sociais do Jacarezinho: mortes ocorreram 'como uma expressão cruel da miséria'

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Infestação de ratos, taxas altas de tuberculose, desamparo psicológico e falta de perspectivas para a juventude. Este foi o balanço parcial feito sobre o Jacarezinho, na Zona Norte do Rio, pela Comissão Especial de Enfrentamento à Miséria da Alerj. O grupo realizou uma visita técnica à comunidade na manhã desta segunda-feira.

A comissão visitou — junto da associação de moradores local, do Núcleo Independente Comunitário de Aprendizagem (Nica) e de representantes da OAB e da Ouvidoria da Defensoria Pública — equipamentos públicos que se encontram fechados, residências precárias e também organizações da sociedade civil de apoio psicossocial e com atuação na área de educação da região. O objetivo geral é avaliar as condições gerais de moradia da região que, de acordo com o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), é o sexto pior da cidade.

Após essa visita da equipe da comissão presidida pela deputada Renata Souza — que compareceu junto dos deputados Waldeck Carneiro e Zeidan — será feito um mapeamento das questões. A partir disso, serão propostas políticas públicas estruturais de combate aos problemas encontrados. Algumas ações emergenciais já estão sendo articuladas.

De imediato, a comissão pretende provocar o governo para garantir acesso de água potável, coleta de lixo e saneamento básico. O governo também será convocado para garantir um serviço de saúde mental e assistência social aos moradores da localidade que viu os seus problemas agravados pela pandemia e também pela operação da polícia civil do dia 6 de maio, quando 28 pessoas foram mortas na comunidade, sendo considerada a mais letal da história da cidade.

— A chacina ocorreu como uma expressão cruel da miséria em que a comunidade se encontra. Ficou notório que pelo menos 13 jovens dos mortos na chacina tinham passagem pela polícia, porém não se divulgou até agora que também tinham passagem pelo Centro de Referência da Juventude da favela e iniciativas de empregabilidade de jovens — disse Renata.

Há uma estimativa de que cerca de 80 mil pessoas vivam no Jacarezinho. Porém, as lideranças locais afirmam que este número está defasado. Além disso, o Centro de Atenção Psicossocial Álcool e Outras Drogas (CAPSad) existente na região não é suficiente para atender aos moradores que necessitam de acompanhamento.

— Com essa chacina, aumentou ainda mais a demanda por atenção psicossocial — afirmou a deputada que chegou a conversar com a mãe de um dos mortos na operação, Márcio da Silva Bezerra, de 43 anos.