Comissão da Alerj quer áreas de risco fora de aplicativos de trânsito

André Coelho e Marcos Nunes
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Motorista baleado na Cidade Alta seguia trajeto indicado em aplicativo
Motorista baleado na Cidade Alta seguia trajeto indicado em aplicativo

Dois dias depois de um homem ser baleado ao entrar por engano numa rua que dá acesso à comunidade da Cidade Alta seguindo orientação de um aplicativo de trânsito, o presidente da Comissão de Transportes da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), deputado Dionísio Lins (PP), enviou ofício cobrando providências para as principais plataformas do tipo. Ele quer que áreas de risco deixem de ser sugeridas como rotas. O parlamentar lembrou que esta não foi a primeira vez que pessoas são colocadas em risco por conta de caminhos sugeridos por aplicativos no Rio.

— É fato que hoje estamos passando por um momento muito delicado na segurança pública, onde facções ocupam cada vez mais territórios e ditam suas regras. A retirada dos endereços considerados áreas de risco dos aplicativos e plataformas visa somente resguardar a segurança de todos que utilizam esse serviço — afirmou.

Atingido por um tiro disparado de uma barricada feita por traficantes na Estrada Porto Velho, próxima à Avenida Brasil, Christiano Coimbra de Mendonça foi operado no Hospital Getúlio Vargas na quarta-feira (22) e foi transferido para a UTI do hospital Copa Star, onde permanece em estado grave. Ele é gerente de produtos e projetos da Editora Globo.

Apesar dos aplicativos indicarem possíveis locais de risco nos mapas, o deputado diz que é preciso uma medida mais radical para evitar novas vítimas.

— No ofício estamos determinando ainda que essas plataformas atualizem trimestralmente seus endereços e monitorem o surgimento de novas áreas consideradas de risco, protegendo assim os usuários de futuros problema — completou.

Procurado, o Waze, principal aplicativo de orientação no trânsito, afirmou que não vai comentar o caso.

O Estado do Rio de Janeiro infelizmente registrou outros de casos de pessoas baleadas após entrarem por engano em comunidades. Em dezembro de 2019, um casal de turistas suíços foi atacado por criminosos armados na Cidade Alta. No mesmo ano, em agosto, um homem também foi baleado quando transitava pela Avenida Brasil e um aplicativo sugeriu que entrasse numa rua que dava acesso à favela Cinco Bocas, em Brás de Pina, na Zona Norte. Em fevereiro, uma criança de 11 anos foi baleada após o carro da família entrar por engano em um dos acessos à comunidade do Rato Molhado, no bairro Ampliação, em Itaboraí.

Em 2017, a mídia britânica colocou em xeque a segurança do Brasil para turistas ao repercutir o caso de Eloise Dixon, baleada em Angra dos Reis, na Costa Verde do Rio, após errar o caminho e entrar com a família em uma favela. Já em 2016, o italiano Roberto Bardella, de 52 anos foi morto com um tiro na cabeça por traficantes no Morro dos Prazeres, em Santa Teresa. Ele viajava de moto pela América do Sul na companhia de um primo.

Há cinco anos, um casal de idosos teve o carro metralhado por traficantes ao entrar por engano na comunidade do Caramujo, no Fonseca, em Niterói, na Região Metropolitana. As vítimas saíram do bairro do Leme, na Zona Sul do Rio, para ir a um restaurante em São Francisco, na Zona Sul da cidade vizinha, e utilizaram um aplicativo de localização no celular, que indicou o caminho pela favela.

Em 2013, um engano no trajeto terminou com um engenheiro baleado na cabeça ao entrar na Vila do João, no Complexo da Maré, em Bonsucesso, Zona Norte do Rio. Gil Augusto Gomes Barbosa, tinha 50 anos. Ele estava a caminho do Aeroporto Internacional Tom Jobim (Galeão) para buscar a sua mulher, quando ela ligou para avisar que já estava indo para casa em um táxi. Gil tentou fazer o retorno mas entrou na favela por engano e acabou atingido.