Comissão da Câmara aprova audiência para debater versão da Barbie transexual

*Arquivo* BRASÍLIA, DF, 18.09.2019 - Plenário da Câmara dos Deputados. Comissão da Câmara aprova audiência para debater versão da Barbie transexual. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
*Arquivo* BRASÍLIA, DF, 18.09.2019 - Plenário da Câmara dos Deputados. Comissão da Câmara aprova audiência para debater versão da Barbie transexual. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - A comissão de Seguridade Social e Família da Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (1º) um requerimento para a realização de uma audiência pública para debater "implicações psicossociais em crianças" da boneca Barbie trans.

O brinquedo foi apresentada pela Mattel no dia 25 de maio e homenageia a atriz americana Laverne Cox, mulher transgênero negra que já atuou em séries como "Inventando Anna'' e "Orange Is the New Black".

O requerimento para debater a boneca, aprovado em bloco em votação simbólica, foi apresentado pelo bolsonarista Otoni de Paula (MDB-RJ) e subscrito pelo deputado Pastor Sargento Isidório (Avante-BA).

Na reunião, Isidório afirmou ser um absurdo o país "com tanta coisa séria para cuidar resolver querer fazer fantasia, prejudicando as nossas crianças". "Esse povo ainda não entendeu que o sexo das pessoas vem dentro da perna, entre as pernas, e os médicos anunciam quando olham, quando tira [sic] a criança. Fora disso é procedência maligna."

A deputada Vivi Reis (PSOL-PA) criticou o requerimento. "Querer debater sobre órgão genital de Barbie? É incabível falar de órgão genital de Barbie", disse. "Não gostou da Barbie que tem órgão sexual masculino? É só tu não comprar a boneca. Deixa livre para quem quer comprar a boneca."

Ela lembrou ainda que a boneca é uma homenagem a uma atriz trans. "Não existe órgão genital de bonecos. Querer falar isso é distorcer a discussão, é querer trazer para essa comissão um debate sem fundamento, um debate baseado em fake news. Tentaram há um tempo falar de mamadeira de piroca, de kit gay, e agora vem com a história da Barbie com órgão genital para querer desviar a atenção dos reais problemas do país."

No requerimento, Otoni de Paula propõe que sejam convidados para a audiência pública o presidente da Mattel no Brasil ou equivalente e um integrante do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos.

Na justificativa, o bolsonarista afirma que a boneca "incorre num liberalismo teratológico que servirá para confundir as crianças sobre a natureza dos gêneros masculino-feminino, pois mulheres e homens são diferenciados pela própria natureza."

"Cabe lembrar que o aspecto trans é uma opção tardia, feita geralmente na fase adulta. Portanto, no devido tempo do desenvolvimento a pessoa terá acesso à realidade da existência dos transexuais e agirá, caso receba boa educação, com o respeito que se deve a todos, independente da opção que escolha. Não havendo a necessidade de expor nossas crianças a tal e desnecessária experiência", prossegue Otoni de Paula.

O deputado afirma ainda que a empresa contrariou normas de mercado que exigem ampla pesquisa de campo para alterar ou lançar novos produtos e decidiu apostar no "segmento social LGBT para, a partir daí, alcançar outros segmentos da sociedade."

Otoni de Paula foi o primeiro político formalmente acusado pela PGR (Procuradoria-Geral da República) no âmbito do inquérito dos atos antidemocráticos, denunciado sob a acusação de ameaçar o ministro Alexandre de Moraes, relator de apurações que miram o presidente Jair Bolsonaro (PL) e seus aliados.

De acordo com a denúncia da PGR, assinada pelo então vice-procurador-geral da República, Humberto Jacques de Medeiros, Otoni fez transmissões ao vivo pela internet nas quais imputou, por cinco vezes, fatos afrontosos à reputação de Alexandre de Moraes e, por 19 vezes, ofendeu a dignidade e o decoro do ministro. As transmissões ocorreram em 16 de junho e 5 de julho de 2020.

Em agosto de 2021, Otoni e outros bolsonaristas, incluindo o cantor Sérgio Reis, foram alvos de mandados de busca e apreensão em meio a convocações para manifestações pró-Bolsonaro no feriado de 7 de Setembro. As medidas foram solicitadas pela PGR e autorizadas por Moraes.

O objetivo era apurar o "eventual cometimento do crime de incitar a população, através das redes sociais, a praticar atos violentos e ameaçadores contra a democracia, o Estado de Direito e suas Instituições, bem como contra os membros dos Poderes".

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