Comissão da Câmara convida novo chanceler para falar sobre política externa na pandemia

DANIELLE BRANT
·2 minuto de leitura

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - A Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira (31) convite para que o chanceler Carlos Alberto França, substituto de Ernesto Araújo, fale sobre diretrizes de política externa na pandemia e na área de defesa. França foi confirmado na segunda (29) para substituir Ernesto Araújo no Itamaraty. O ex-chanceler pediu demissão após pressão da cúpula do Congresso, que o acusava de omissão no combate à pandemia. França, 56, ganhou a confiança de Bolsonaro no período em que chefiou o cerimonial do Palácio do Planalto. Posteriormente, comandou a assessoria especial da Presidência. Por se tratar de convite, o novo chanceler não é obrigado a comparecer. "Considero da maior relevância e urgência a aprovação para que [o chanceler] possa discutir conosco as questões relativas à nossa política externa", afirmou o presidente da comissão, deputado Aécio Neves (PSDB-MG). Segundo ele, há uma grande expectativa sobre a postura do novo ministro em relação à pandemia e ao papel do Ministério das Relações Exteriores na ampliação do acesso a insumos e vacinas. "Da mesma forma, é absolutamente necessário para essa comissão que possamos conhecer também as diretrizes e as perspectivas da área de defesa. Uma área essencial à vida nacional e à qual essa comissão pretende dar atenção muito especial", disse. Aécio Neves já tinha manifestado a expectativa de mudanças na política externa do país com a saída de Ernesto Araújo, em especial no que diz respeito ao enfrentamento da Covid-19. O deputado também disse esperar que o novo chanceler restabeleça os princípios de respeito, tolerância e equilíbrio que nortearam a política externa brasileira, "sem qualquer alinhamento automático ou preconceitos de ordem ideológica." A expectativa é de que França não faça mudanças radicais em relação a Ernesto Araújo, mas sim que adote uma postura mais conciliatória e menos agressiva em relação à política externa. O novo chanceler conta com a benção do filho 03 do presidente Jair Bolsonaro, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), e também do assessor internacional da Presidência, Filipe Martins.