Comissão da Câmara convoca ministro da Justiça para falar sobre morte de Genivaldo

A Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados aprovou nesta quarta-feira a convocação do ministro da Justiça, Anderson Torres, para falar da conduta de agentes da Polícia Rodoviária Federal (PRF) que mataram Genivaldo de Jesus Santos.

Por dez votos a sete, os parlamentares deram aval ao requerimento apresentado por Alexandre Frota (PSDB-SP). Em data ainda a ser marcada, o chefe da pasta falará sobre sobre a ação que resultou na asfixia da vítima, por gás, em um camburão da corporação.

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A execução ocorreu na semana passada, em Umbaúba. Durante a sessão da comissão, governistas tentaram retirar da pauta o pedido de convocação, mas foram derrotados. Felipe Francischini (União-PR) disse que o ministro já havia dito que compareceria voluntariamente ao Congresso e que o pedido seria desnecessário. A PRF é um órgão vinculado ao ministério.

— O ministro não pode escolher o dia em que ele virá aqui. Ele está sendo convocado. É diferente — disse Frota.

Com a convocação, Anderson Torres tem o dever funcional de comparecer à audiência. Se não o fizer, poderá ser enquadrado por crime de responsabilidade.

Uma semana depois da morte de Genivaldo, os agentes que o trancaram no porta-malas do veículo infestado de gás lacrimogêneo não foram punidos.

Contrários à convocação, bolsonaristas argumentaram que a conduta dos agentes em questão não representava a “instituição” da PRF.

— A gente não pode macular a imagem da corporação por um fato isolado — Chris Tonietto (PL-RJ).

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Logo após o ocorrido, a PRF alegou que Genivaldo fora vítima de um mal súbito, sem relação com a abordagem feita pelos agentes. No sábado, porém, o coordenador-geral de Comunicação Institucional da corporação, Marco Territo, gravou um vídeo para dizer que o órgão assistiu aos últimos momentos de vida do aposentado com "indignação".

O presidente Jair Bolsonaro foi questionado sobre o caso na sexta-feira passada, quando os vídeos já haviam sido amplamente divulgados pela imprensa, mas disse que ia se informar antes de opinar. Ele aproveitou para fazer referência a uma outra ocorrência, em que dois policiais foram as vítimas:

— Vou me inteirar com a PRF. Eu vi há duas semanas aqueles dois policiais executados por um marginal que estava andando lá no Ceará. Foram negociar com ele, o cara tomou a arma dele e matou os dois. Talvez isso, nesse caso, não tomei conhecimento, o que tinha na cabeça dele.

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