Comissão contra pedofilia quer resposta do Vaticano às vítimas

A Promotoria havia pedido seis anos de prisão para o réu, mas o padre optou por um procedimento legal curto, que prevê uma redução da pena e pagamento de uma indenização de 25.000 euros para cada uma de suas vítimas

A comissão papal de luta contra a pedofilia pediu que o Vaticano se organize para responder de forma pessoal e "com compaixão" a cada uma das muitas mensagens enviadas à Santa Sé por vítimas de abusos sexuais.

O grupo de especialistas divulgou a recomendação após sua oitava reunião, no fim de semana, a primeira sem a presença da irlandesa Marie Collins, representante das vítimas que abandonou a comissão em março denunciando uma "vergonhosa" falta de cooperação dentro do Vaticano.

"A comissão debateu sobre a importância de responder diretamente e com compaixão as vítimas/sobreviventes quando escrevem para os escritórios da Santa Sé", afirma um comunicado divulgado nesta segunda-feira.

O grupo já havia recomendado ao papa que o Vaticano começasse a escrever às vítimas, mas o dicastério (ministério) responsável pela questão dos padres pedófilos manifestou oposição.

"Este ato de atenção pastoral é um dever dos bispos (...). É um mal-entendido pensar que este dicastério pode ocupar-se de todas as dioceses e ordens religiosas do mundo", explicou na oportunidade o secretário da 'pasta', o cardeal alemão Gerhard Ludwig Müller.

Ao anunciar sua renúncia, Marie Collins denunciou a recusa do dicastério a seguir uma recomendação aprovada pelo papa - sem revelar qual - e chamou o fato de "gota d'água" que precipitou sua saída.