Comissão de Saúde da Alerj pede reunião com secretário sobre obra do Hospital Geral de Queimados, inacabada há 31 anos

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Promessa para a população de Queimados desde 1990, quando a cidade ainda era parte de Nova Iguaçu, o Hospital Geral de Queimados vai ser tema de uma reunião entre deputados estaduais da Comissão de Saúde da Alerj com o secretário estadual de Saúde, Alexandre Chieppe, ainda sem data definida. Entre idas e vindas, a construção da unidade está inacabada e abandonada há décadas. No local, que continua cercado, o mato cresce no entorno do que deveria servir de espaço para atender os moradores da região.

Inicialmente, a obra foi concebida pelo governo do estado, mas, em 1993, foi municipalizada e custeada com recursos repassados pelo Ministério da Saúde. Um esqueleto do hospital chegou a ser construído no local, mas foi demolido anos depois. Em 2006, o então presidente Lula esteve no local para inaugurar a retomada da construção, que não chegou a ser concluída. Em 2013, o governo estadual assumiu a construção com a promessa de fazer um Hospital de Cardiologia. Mas a proposta agora, ao que tudo indica, é retomar o projeto do Hospital Geral.

Segundo a presidente da Comissão de Saúde da Alerj, a deputada Martha Rocha, uma reunião com o secretário estadual de saúde foi solicitada para esclarecer os planos do governo do estado sobre a construção:

— Nós pedimos uma reunião com o secretário Alexandre Chieppe para saber quais são os planos no que se refere a esse hospital. Ele figura no Plano Estadual de Saúde entre os objetivos que a secretaria tem para os próximos dois anos. Aquele hospital não vai atender só Queimados, mas a Baixada Fluminense como um todo. A gente sabe que tem uma carência de oferta de questões hospitalares, de leitos, sobretudo em casos de média e alta complexidade — diz a deputada.

Dona de casa e moradora do bairro Parque Santiago, em Queimados, Maria Ternolina Dias, de 63 anos, reclama da peregrinação que os moradores de Queimados precisam fazer para outros municípios em busca de atendimento médico:

— Esperávamos (do hospital) o melhor possível para atender a gente, porque, quando um paciente sofre aqui, ele tem que ir para o Hospital da Posse (em Nova Iguaçu), que é superlotado e tem hora que não supre os moradores. Eu mesma sofri um acidente de moto e tive que ir parar lá. Se tivesse um hospital bom que atendesse as pessoas a gente não ia procurar outras unidades.

Moradora de Austin, em Nova Iguaçu, Valdecira da Silva, de 59 anos, acredita que um hospital geral em Queimados poderia ajudar todos os moradores da região:

— Acho que ia ser muito bom principalmente para quem tem problema como eu. Sou diabética, hipertensa e ainda tenho problema nos ossos. Se tivesse um hospital que desse para atender... Que beleza. Mas ninguém faz!

A aposentada Íris de Souza, de 74 anos, que mora em Vila Guimarães, em Queimados, também sente que o hospital faz falta no atendimento à população da cidade:

— Ia fazer muita diferença o hospital aqui, porque o tempo que a gente leva para ir para Nova Iguaçu pedir socorro, ia aqui logo.

Entre as propostas de campanha do prefeito Glauco Kaizer (Solidariedade) para Queimados está a de transformar o Centro Especializado no Tratamento de Hipertensão e Diabetes (CETHID) em Hospital Geral Municipal, com atendimento de urgência e emergência, e um centro cirúrgico. Mas, a prefeitura não respondeu qual a expectativa para que isso aconteça.

Sobre a retomada da construção do Hospital Geral de Queimados, a prefeitura escreveu que a unidade “é um sonho de toda a população queimadense” e que a atual administração municipal “também deseja tal concretização, que poderá beneficiar não só os munícipes como toda a população do entorno, desafogando outros hospitais que recebem diariamente nosso pessoal”: “A obra do hospital teve seu início interrompido ainda em gestões passadas, quando a infraestrutura inacabada ficou comprometida, precisando ser derrubada. Nestes últimos 11 meses, a Prefeitura de Queimados concentrou todos os seus esforços e recursos para o mantimento do Hospital de Campanha da Covid-19. Agora com o bandeiramento branco na cidade, e o consequente estado de baixíssimo risco de contágio, o município volta a sonhar com a construção do seu Hospital Geral, entretanto, é fundamental o efetivo apoio do governo do estado e do governo federal tanto para a construção como para custeio do equipamento, uma vez que o município não possui fôlego financeiro para sozinho manter o custeio de um Hospital Geral”, termina a nota enviada pela Prefeitura de Queimados.

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