Relatos de tortura: Senado pedirá acesso a áudios inéditos da ditadura

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Gravações inéditas da época mostram os ministros militares e civis tecendo comentários sobre casos de tortura que ocorreram durante o regime
Gravações inéditas da época mostram os ministros militares e civis tecendo comentários sobre casos de tortura que ocorreram durante o regime

A Comissão de Direitos Humanos do Senado vai pedir acesso a áudios de julgamentos do STM (Superior Tribunal Militar) em que ministros admitem a prática de tortura que ocorreram durante a Ditadura Militar (1964-7985). As gravações inéditas da época mostram os ministros militares e civis tecendo comentários sobre casos de tortura que ocorreram durante aquele período.

Para o presidente da comissão, senador Humberto Costa (PT-PE), a exposição dessas falas é uma peça importante para se entender o papel do Estado brasileiro durante o regime.

O senador publicou em sua conta no Twitter, neste domingo (17), que o colegiado tomará “as devidas providências” depois de ter acesso aos áudios. A comissão tem reunião marcada para esta segunda-feira (18) às 14h.

“Essas revelações mostram que o trabalho com o nosso passado mal começou. A Comissão da Verdade foi um grande passo. Mas há ainda um enorme caminho a percorrer. Por isso, a Comissão de Direitos Humanos do Senado pedirá acesso aos áudios e tomará as devidas providências,” disse o presidente na rede social.

Parte das gravações foi divulgada neste domingo (17) pela colunista do GLOBO Miriam Leitão, em seu blog no jornal, que teve acesso ao material que vem sendo estudado pelo historiador da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) Carlos Fico. Os áudios somam 10.00 horas.

Nos registros, é possível ouvir alguns ministros, como o brigadeiro Faber Cintra, duvidando dos relatos de tortura. Outros, como o general Rodrigo Octávio, solicitam apuração dos casos.

Há relatos de tortura com marteladas e choques elétricos, inclusive a mulheres grávidas, e em seus órgãos genitais.

Alguns dos ministros aceitam quando as acusações são contra o Dops (Departamento de Ordem Política e Social), órgão do governo brasileiro da época. Outros, como o general Augusto Fragoso, reagem quando os processos acusam as Forças Armadas.