Comitê internacional envia dados de testes da CoronoVac para a Anvisa

Leandro Prazeres
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BRASÍLIA. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) comunicou nesta terça-feira que o Comitê internacional independente de segurança da pesquisa que desenvolve a CoronaVac enviou os dados sobre os testes da vacina contra a Covid-19 desenvolvida em parceria pelo Instituto Butantan e o laboratório chinês Sinovac. O estudo clínico da vacina foi suspenso pela Anvisa na segunda-feira após a morte de um voluntário que participava do teste, o que foi considerado um “evento adverso grave”.

“O documento encontra-se neste momento sob análise do grupo interno da Anvisa”, diz um trecho da nota oficial divulgada pela agência na tarde desta terça-feira. Horas antes, o diretor-presidente da Anvisa, Antonio Barra Torres disse em entrevista coletiva que o estudo continuaria suspenso até que a agência tivesse todas as informações sobre a morte do voluntário.

Na segunda-feira à noite, a Anvisa interrompeu o estudo clínico da vacina CoronaVac, desenvolvida pelo Instituto Butantã, do governo de São Paulo, e pelo laboratório chinês Sinovac. Segundo a agência, a interrupção se deu por conta de um “evento adverso grave” durante a fase de testes da vacina. Não foram divulgados oficialmente detalhes por questões de confidencialidade.

O evento citado é a morte de um voluntário que participava dos testes. Boletim de ocorrência registrado na capital paulista aponta suicídio como a causa da morte.

O diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, reagiu nesta terça-feira, dizendo em coletiva de imprensa que a decisão da Anvisa causou indignação. Segundo ele, o evento não tem relação com os testes da CoronaVac.

– Do ponto de vista clínico do caso, é impossível que haja relacionamento do evento com a vacina. Essa definição (impossível) encerra a discussão – salientou o presidente do Butantan.

O diretor disse ainda que a decisão da agência causou “incerteza” e “medo” nas pessoas.

– Causaram incerteza, medo nas pessoas, fomentaram um ambiente que já não estava propício devido ao fato dessa vacina ser feita em associação com a China – declarou o diretor do instituto.

O diretor-presidente da Anvisa, Antônio Barras Torres, por sua vez, também chamou uma coletiva e disse que as informações repassadas pelo Instituto Butantan foram “insuficientes e incompletas” e que, por isso, a agência decidiu pela suspensão dos estudos.

— As informações veiculadas ontem foram consideradas, pela área técnica, insuficientes, incompletas, para que ontem fosse possível, de posse delas, continuar permitindo o desenvolvimento vacinal — disse o diretor-presidente da Anvisa, Antônio Barras Torres.

A diretora da Anvisa responsável pela área de vacinas, Alessandra Bastos, reforçou que a decisão foi técnica e seguiu protocolos internacionais.

— Gostaria que isso ficasse muito claro: diante de um efeito adverso grave não esperado, suspende o estudo clínico. Diante de um efeito adverso grave esperado, segue com o estudo — explicou a diretora Alessandra Bastos.