Comitê da ONU joga a pá de cal sobre pretensões eleitorais de Sergio Moro

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Brazil's former justice Minister Sergio Moro pauses during an online interview at a hotel in Sao Paulo, Brazil, February 23, 2022. REUTERS/Alexandre Meneghini
O ex-juiz, ex-ministro e ex-candidato a presidente Sergio Moro. Foto: Alexandre Meneghini/Reuters

A conclusão do Comitê de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) de que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) teve seus direitos políticos e à privacidade violados por um julgamento considerado imparcial durante a Lava Jato é a pá de cal para qualquer pretensão política do ex-juiz Sergio Moro e dos ex-procuradores da força-tarefa.

O comitê julgou que o líder petista teve o direito à liberdade pessoal violado durante a condução coercitiva da Polícia Federal ordenada por Sergio Moro. Já a gravação de conversas, segundo a avaliação, violaram o direito à privacidade do investigado.

A manifestação é uma resposta a uma provocação feita pela defesa de Lula, que chegou a ficar detido por 580 dias em Curitiba pela condenação, em duas instâncias, no caso do triplex no Guarujá. A Lei da Ficha Limpa o impediu de disputar as eleições presidenciais de 2018.

A divulgação de conversas hackeadas entre o então magistrado e procuradores do Ministério Público Federal do Paraná pesou na análise do comitê. Os diálogos mostram que Moro chegou a indicar testemunhas, pediu inclusão de provas em um processo de acusação e interferia na ordem das fases das apurações, além de deixar claro quem poderia ou não ser investigado pela força-tarefa. (Possíveis aliados políticos eram poupados para não causar melindre).

Para embasar o pedido, a defesa do ex-presidente contratou uma especialista em psicologia forense dos EUA para analisar o perfil psicológico do ex-juiz, conforme noticiou a colunista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo. A especialista concluiu que Moro tem perfil psicológico autoritário e ambição de poder.

A defesa de Lula apontava as pretensões políticas de Sergio Moro desde 2016. Na época ele jurava de pé junto que não tinha qualquer ambição eleitoral.

Dois anos depois, ele aceitou trabalhar para o candidato mais beneficiado pela prisão do oponente, deixou o governo atirando, foi chamado de traidor pelos bolsonaristas, se filiou ao Podemos para disputar a Presidência e deixou o partido em seguida, com o destino político em aberto e incerto no União Brasil.

Em sua defesa, ao saber da manifestação da ONU, o ex-magistrado, ex-ministro e ex-presidenciável afirmou que o petista jamais foi perseguido pela Justiça e que a manifestação da entidade global é baseada em um “erro judiciário” produzido pelo Supremo Tribunal Federal ao invalidar as condenações.

A manifestação do órgão das Nações Unidas servirão como trunfo do petista na disputa pela sucessão presidencial.

E praticamente enterra as chances de Sergio Moro disputar a Presidência.

Essa disposição já havia arrefecido pela apatia em relação ao seu nome demonstrada pelos eleitores nas pesquisas de intenção de voto.

Foi encurtada após a decisão de deixar o Podemos, onde era a estrela principal da companhia, em direção a um partido povoado de antigos alvos que não aceitam dar a ele qualquer outro papel se não o de puxador de votos como candidato a deputado.

Antes de assumir as pretensões políticas, Moro trabalhou em uma consultoria nos EUA responsável por estruturar e administrar processos de recuperação judicial de empresas em dificuldades financeiras, entre elas companhias brasileiras condenadas nos tempos da Lava Jato, como a Odebrecht (hoje Novonor).

Uma investigação aberta pelo Tribunal de Contas da União para apurar eventuais conflitos no contrato ajudou a desgastar o ex-magistrado em seus primeiros passos como pré-candidato.

Embora contestada por ele, a manifestação da ONU deve acelerar sua retirada de campo. Recentemente, ele admitiu a possibilidade de não concorrer a cargo nenhum em 2022.

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