Comitiva portuguesa, cordel e cashback: Bienal do Livro de São Paulo divulga programação

“Todo mundo sai melhor do que entrou”. Esse é o lema da Bienal Internacional do Livro de São Paulo, que volta acontecer presencialmente após um hiato de quatro anos, entre os dias 2 e 10 de Julho, no Expo Center Norte, na capital paulista. A programação foi anunciada na manhã desta quinta-feira (2). Organizada pela Câmara Brasileira do Livro (CBL) e pela RC, a 26ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo vai promover 1.500 horas de programação cultural, receber 330 autores nacionais e estrangeiros, homenagear Portugal e incentivar a internacionalização do mercado editorial brasileiro.

O lema da 26ª Bienal do Livro de São Paulo não faz referência apenas ao aprendizado da pandemia, mas também à própria experiência da leitura.

— Todo mundo sai melhor do que entrou. O livro é transformador, aproxima as pessoas. Até quem não tem o hábito de ler não fala mal do livro — disse o presidente da CBL Vitor Tavares, que destacou “aproximadamente 3 milhões de livros” estarão à disposição do público.

Entre os 300 autores brasileiros já confirmados, estão a colunista do GLOBO Míriam Leitão, o best-seller Itamar Vieira Junior, o pensador indígena Ailton Krenak, o filósofo Mario Sergio Cortella e o criador da Turma da Mônica Maurício de Sousa. Já a lista de participações estrangeiras inclui 30 nomes, como a moçambicana Paulina Chiziane, ganhadora do Prêmio Camões no ano passado, a americana Jenna Evans Welch, autora de “Amor & Gelato”, Elena de Armas, que virou sensação no TikTok com romance “Uma farsa de amor na Espanha”, e Xiran Jay, cosplayer sino-canadense que escreve ficção científica. A programação completa está disponível no site da Bienal e contemplará pautas como racismo, representatividade LGBTQIAP+, direitos dos povos indígenas, masculinidades, migração, culinária e divulgação da literatura nas redes sociais, em especial, do TikTok.

O bicentenário da Independência brasileira motivou a indicação de Portugal como convidado de honra da festa. Marcará presença uma comitiva lusitana formada por 21 escritores, como Valter Hugo Mãe, José Luís Peixoto e Ricardo Araújo, os chefs de cozinha Vitor Sobral e André Magalhães e o presidente de Portugal, Marcelo Rebelo de Sousa, que participará da abertura do evento. O presidente Jair Bolsonaro também foi convidado, mas ainda não respondeu.

A curadoria da programação lusa ficou a cargo da jornalista portuguesa Isabel Lucas. José Saramago, o único escritor lusófono laureado com o Prêmio Nobel de Literatura, cujo centenário é comemorado este ano, será homenageado. Na coletiva de imprensa realizada na manhã desta terça, o embaixador de Portugal no Brasil, Luís Faro Ramos citou Saramago, que, ao ganhar o Nobel, agradeceu a seus leitores, editores e tradutores e também a todos os escritores de língua portuguesa do passado, responsáveis pela existência da própria literatura.

— Essa citação de Saramago continua a fazer sentido devido a participação de Portugal como convidado de honra da 26ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo. É pelos escritores que a literatura existe, que as feiras do livro existem, são eles que nos encantam todos os dias e são capazes de afastar — disse Ramos, que ressaltou que a programação portuguesa na Bienal procura representar a “cultura moderna portuguesa” e que o evento é mais um capítulo da “relação 360º que existe entre Portugal e Brasil”.

Durante a Bienal, os Pavilhões Branco, Verde, Vermelho e Azul do Expo Center Norte serão ocupados por 182 expositores que representam mais de 600 selos editoriais. Haverá nove espaços de debates: Arena Cultura Pólen, Cozinhando com Palavras, Salão de Ideias, BiblioSesc (Praça da Palavra e Praça de Histórias), Espaço Infantil, Espaço Cordel e Repente, Espaço de Autógrafos ZAP, Auditório Edições Sesc São Paulo e Papo de Mercado Metabooks.

O Cozinhando com Palavras homenageará autores e as culinárias de Brasil e Portugal e apresentará um livro comestível, cujas páginas são feitas de arroz. A ideia de um livro comestível foi proposta por Emília, a boneca falante de Monteiro Lobato, em um dos livros do Sítio do Picapau Amarelo. Bem-humorada, a curadora Lucinda Marques espera que o Espaço Cordel e Repente seja mais popular da Bienal e supere as programações do BiblioSesc e dos convidados lusitanos.

— Com certeza será o melhor espaço da Bienal, sem desmerecer todas as estrelas que estarão lá. Porque no Espaço Cordel e Repente que estão a poesia e o povo — provocou Marques. Ela disse ainda que cordelistas e repentistas que estiverem passeando pela Bienal poderão se apresentar no Espaço mesmo sem inscrição prévia e citou o poeta popular potiguar Antônio Francisco. — “Ser escritor é pisar onde ninguém bota o pé, é ser zé-ninguém sem ser escravo de nenhum Zé, e viver pintando sonhos, saudade, vontade e fé”. É isso que nós vamos fazer na Bienal!

Mais de 600 mil pessoas são aguardadas para o evento. Ônibus saindo da estação Portuguesa-Tietê do metrô levarão o público até o Expo Center Norte. A Bienal seguirá os protocolos sanitários que estiverem em vigor na cidade de São Paulo durante a realização do evento. Atualmente, não é obrigatório uso de máscara ou apresentação de passaporte vacinal. Também não há limitação de público.

Os ingressos já estão a venda no site da Bienal. Pela primeira vez, quem comprar ingresso até 30 de junho receberá cashback que deverá ser gasto na compra de livros durante o evento. As entradas custam R$ 30 (inteira) e R$ 15 (meia) e dão direito a R$ 10 e R$ 5 de cashback, respectivamente. É possível comprar até 10 ingressos por CPF. Segundo o presidente da CBL, “o cashback oferecerá um potencial de reinvestimento no evento na ordem de R$ 3 milhões”. Até esta terça-feira, a um mês do início da Bienal, a venda de ingressos já era 85% do que 30 dias antes da última edição.

Negócios

A 26ª Bienal também abrirá espaço para os negócios. Entre os dias 29 de junho e 2 de julho, ocorrerá, no Expo Center Norte, a 3ª Jornada Profissional, que promoverá rodadas de negócios entre editores brasileiros e estrangeiros e palestras exclusivas. A Jornada é uma parceira da CBL com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) e visa incentivar a internacionalização do mercado editorial brasileiro. Participação 80 profissionais da indústria do livro, incluindo convidados da América Latina, da Europa, dos Estados Unidos, da Turquia e do Egito. Estima-se que as editoras fechem mais de US$ 150 mil em negócios.

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