'Como é ser estuprada e continuar?' Livro narra episódio real de violência sexual

Maria Fortuna
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O coração vem à boca, o corpo é tomado pelo nojo, pela revolta e, por fim, pela compaixão. Todas essas sensações vêm à tona durante a leitura do novo romance de Tatiana Salem Levy. “Vista Chinesa”, que chega às livrarias pela Todavia no dia 9 de março (a pré-venda começou nesta quinta, 18), é um romance baseado no estupro real sofrido por uma das melhores amigas da autora, na Floresta da Tijuca. O caso ocorreu em 2014, num Rio de Janeiro tomado pela euforia da Copa do Mundo e com os Jogos Olímpicos de 2016 à vista.

Na obra, a protagonista que narra seu próprio estupro em uma carta aos filhos se chama Júlia. Na realidade, quem viveu o horror tem outro nome e muita coragem para revelar sua identidade em nota publicada no final do livro: “Não tenho vergonha do que aconteceu. Eu quero que você escreva que isso aconteceu de verdade. E aconteceu comigo: Joana Jabace”, diz o texto.

Carioca, 40 anos, Joana é diretora da TV Globo, responsável por programas como “Segunda chamada”, mãe dos gêmeos Francisco e José, de 3 anos, frutos do casamento com o roteirista e ator Bruno Mazzeo. Numa tarde de agosto, ela saiu para correr no Alto da Boa Vista. No final do Muro do Alívio, paredão chamado assim por ser um ponto em que a estrada deixa de ser tão íngreme, um homem encostou o cano de um revólver em sua cabeça, a arrastou mata adentro e a estuprou.

O episódio de violência sexual, eixo da obra de Tatiana, é narrado com uma riqueza de detalhes perturbadora. Pode provocar uma insônia tomada pelas imagens descritas no livro e até pelo cheiro da floresta entrando pelo nariz. A autora despeja toda aquela agonia com crueza e, muitas vezes, sem o respiro da pontuação. Como se o texto fosse bile saindo pela garganta.

Detalhe: a autora escreveu o romance grávida (de uma menina). Mais um detalhe 2: A vítima encerrou o caso por medo de culpar um inocente.

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